Enfraquecer os laços entre Europa e Estados Unidos é "uma espécie de suicídio" -- Marcelo

Amadora, Lisboa, 16 mai 2019 (Lusa) - O Presidente da República defendeu hoje que se a Europa enfraquecer os laços com os Estados Unidos da América "está a cometer uma espécie de suicídio" e que o mesmo será "um grande erro" para os norte-americanos.

Marcelo Rebelo de Sousa deixou esta mensagem no encerramento da 5.ª Conferência Internacional da NATO sobre Cibersegurança, na Academia Militar, na Amadora.

No seu discurso, feito em inglês, o chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas falou indiretamente da Federação Russa e da República Popular da China, alertando para os riscos que decorrem da forma como "ambos usam as armas da cibersegurança, ou antes, da ciberinsegurança dos outros".

"Usam-nos para apoiar aberta ou discretamente os atores políticos, sociais ou mediáticos que podem dividir ou enfraquecer os seus concorrentes, para não dizer adversários", afirmou, referindo-se à Rússia como "um poder à procura de espaço vital para compensar a transição de global para regional" e à China como um poder "que está a emergir como global", sem os nomear.

O Presidente da República descreveu o atual quadro global como "crescentemente multipolar" e apelou à preservação do "vínculo transatlântico" entre Europa, Estados Unidos da América e Canadá e entre a União Europeia e a NATO.

"Neste contexto, uma Europa irrealista e distraída que permite que os seus laços com os Estados Unidos da América e o Canadá se enfraqueçam está a cometer uma espécie de suicídio", defendeu.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que Estados Unidos da América e Canadá também "estarão a cometer um grande erro" se optarem por "questionar os seus laços com a Europa, com políticas isolacionistas, protecionistas, de vistas curtas".

"Trabalhemos juntos, então, no campo da cibersegurança também, e trabalhemos numa visão de longo prazo. Porque presidentes, Governos, maiorias parlamentares passam, enquanto os valores que nos unem e as pessoas que servimos permanecem", pediu.

Segundo o Presidente da República, em matéria de cibersegurança, os europeus e os seus aliados transatlânticos não têm sido "rápidos o suficiente a antecipar, a intervir consoante a necessidade em períodos eleitorais".

"Agora, é o momento para compensar o tempo perdido que nos impediu de prevenir e responder nos últimos anos", defendeu.

No final desta conferência, o chefe de Estado escusou-se a prestar declarações aos jornalistas.

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