Eleições no Senegal a decorrer "com normalidade" - observadores da francofonia

As eleições presidenciais no Senegal estão a decorrer hoje "com normalidade" e com "muita participação", disse à Lusa o chefe da missão de observação eleitoral da Organização Internacional da Francofonia, o ex-primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada.

Em declarações à Lusa ao início da tarde de hoje, Patrice Trovoada afirmou que "do ponto de vista técnico e logístico, as coisas estão a correr bem" e que as urnas abriram à hora prevista.

"Até agora, as coisas têm corrido bem. As reclamações que a oposição tem apresentado são coisas marginais", acrescentou.

O chefe da missão de observação da Francofonia indicou que, durante a manhã, visitou seis centros eleitorais na capital do Senegal, Dacar, e que foram enviadas equipas às principais localidades do país.

"Há muita participação dos eleitores", comentou Patrice Trovoada, apontando ainda que "pelo menos quatro dos cinco candidatos têm representantes nas mesas eleitorais".

O chefe da equipa da Francofonia adiantou que já contactou representantes das missões de observação da União Europeia e da União Africana, que disseram partilhar desta análise sobre a forma como está a decorrer o processo eleitoral.

O responsável referiu no entanto existir "uma pequena crispação" e "muita desconfiança", principalmente entre a oposição, dadas as novas regras eleitorais, que determinaram que cada candidato tivesse de ter apoio expresso de entre 0,8% a 1% do universo eleitoral (no mínimo, 60 mil votantes).

"Este sistema serviu para racionalizar" as candidaturas, num país com mais de 6,6 milhões de eleitores e mais de 300 partidos políticos, e que tinha habitualmente mais de 20 candidatos às eleições.

Agora, concorrem apenas cinco, entre os quais o Presidente cessante, Macky Sall, que procura um segundo mandato, além do ex-primeiro-ministro Idrissa Seck; do deputado Ousmane Sonko, figura relevante da oposição; do candidato do Partido da Unidade e da Liberdade (PUR), El Hadji Issa Sall, e de um candidato próximo do ex-Presidente Abdoulaye Wade (2000-2012), Madicke Niang.

Pela primeira vez, não há nenhuma mulher entre os candidatos presidenciais, apontou Patrice Trovoada.

As alterações "não mereceram um grande consenso", com a oposição a lançar suspeições sobre o processo e a acusar o poder de não ter procurado o diálogo, enquanto a sociedade civil vê progressos nestas medidas, mas a considerar que faltou fazer uma pedagogia junto da população.

Por outro lado, os cartões de identificação dos cidadãos passaram a integrar o cartão de eleitor, mas menos de 2% dos votantes não receberam estes documentos, ficando por isso impossibilitados de votar.

"Isso é criticável, mas será que vai mudar o sentido de voto?" - questionou Patrice Trovoada.

A missão de observação eleitoral da organização francófona vai manter-se no Senegal até à próxima terça-feira.

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