Economia petrolífera de Angola vai ter recessão acima de 10% no útlimo trimestre de 2018 - BFA

O gabinete de estudos do Banco Fomento Angola considera que a economia petrolífera de Angola vai "seguramente" ter uma quebra acima de 10% no último trimestre de 2018, mantendo o país novamente em recessão económica.

"No caso da economia petrolífera, os dados existentes das exportações permitem antecipar uma quebra anual em torno dos 10%, com o último trimestre do ano a apresentar uma quebra homóloga seguramente superior a esta percentagem", lê-se na nota enviada aos investidores, e a que a Lusa teve acesso.

No comentário semanal à economia angolana, o BFA vinca que os números apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística de Angola, na semana passada, fazem com que a perspetiva económica sobre 2018 seja melhor, mas ainda negativa.

"Os dados anteriores sofreram uma revisão significativa; as quebras homólogas no primeiro e segundo trimestre de 2018 passaram, respetivamente, de 4,7% para 2,2%, e de 7,4% para 4,5%", dizem, vincando que "os números anteriores do INE configuravam uma quebra homóloga de 6% na primeira metade do ano, tornando bastante provável uma recessão pior do que a em 2016", quando a economia caiu 2,6%".

Assim, apontam, "no cenário atual, este é ainda um cenário possível, mas não é uma certeza", já que a revisão dos números aponta agora para um crescimento negativo de 1,6% no terceiro trimestre do ano passado, face ao mesmo período de 2017, que faz com que, "no acumulado dos primeiros 9 meses do ano, o PIB tenha diminuído 2,7%".

No caso do petróleo, dizem os analistas, "as exportações registaram uma média de 1,47 milhões de barris diários (mbd) em 2018, o que é consistente com um nível de produção em torno dos 1,51 mbd", mas há incertezas nos restantes setores da economia angolana.

"Porém, no caso da economia não-petrolífera, reina alguma incerteza, por vários fatores, sendo o principal as constantes revisões significativas dos números por parte do INE (e alguns dados inconsistentes), que dificultam bastante a análise", apontam, concluindo que "será importante verificar a evolução do Comércio e Construção (que juntos representam mais de 22% do PIB), que voltaram a crescer em termos homólogos entre julho e setembro".

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