Diretor da Marvel TV diz que "Agents of S.H.I.E.L.D." contorna ação de "Vingadores"

Los Angeles, 12 mai 2019 (Lusa) - A sexta temporada de "Agents of S.H.I.E.L.D.", que se estreou este fim de semana nos EUA, mostra o período antes dos eventos que levaram à ação de "Vingadores: Endgame", segundo o diretor da Marvel TV, Jeph Loeb.

O executivo explicou à Lusa que a decisão sobre a cronologia de acontecimentos na nova temporada foi "difícil", porque a produção começou antes de ser conhecido o desenrolar de acontecimentos e a data de estreia de "Vingadores: Endgame".

"Não queremos fazer nada na nossa série que contradiga o que está a acontecer nos filmes", disse Jeph Loeb. "Os filmes são os líderes e determinam a cronologia do Universo Cinemático Marvel, pelo que o nosso trabalho é navegar dentro desse mundo sem estragar nada".

Isto significa que os segredos que são revelados no mais recente filme da Marvel e retratam o que aconteceu após o "Snap", quando o vilão Thanos estalou os dedos e eliminou metade da vida no universo, não serão abordados em "Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D.", série que vai regressar à Fox, em Portugal, no verão.

"A única forma de contar a história era fazê-lo antes do 'Snap'", considerou o diretor da Marvel TV.

A sexta temporada de "Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D." começa um ano após a morte do agente Phil Coulson (protagonizado por Clark Gregg), naquilo que muitos pensaram que era o fim da série.

De acordo com Jeph Loeb, a decisão de renovar foi da ABC e não dos estúdios da Marvel, ao contrário do que acontece com os filmes. "Quando se está no negócio da televisão, a cadeia é que encomenda a série e determina o que vai acontecer", explicou.

A Marvel é detida pela Disney, que integra a ABC na divisão dedicada à televisão.

O entusiasmo demonstrado pelos criadores e 'showrunners' Jed Whedon e Jeff Bell convenceu os responsáveis a continuarem a história dos agentes S.H.I.E.L.D. mesmo após a morte do protagonista.

No entanto, o ator que deu vida a Coulson também vai regressar, na pele de Sarge, uma linha narrativa que é revelada nas primeiras imagens da série e não tem explicação aparente.

"Quando Sarge aparece e não é Coulson, começa-se uma discussão imediata", refere Loeb, porque "há uma esperança" de que exista alguma relação entre eles. "Essa é uma das coisas que a série faz bem, cria uma ligação emocional entre a audiência e as personagens".

A história convenceu a ABC de tal forma que, antes mesmo da estreia dos novos episódios, a cadeia de televisão anunciou que haverá também uma sétima temporada.

A decisão aconteceu "à medida que eles viram o que estávamos a fazer e como de muitas formas tudo foi revigorado", indicou Loeb. "Eles começaram a ver a temporada seis e encomendaram a sétima, o que foi fantástico para nós".

O mesmo não aconteceu com as outras séries da Marvel TV na Netflix, que foram canceladas no início do ano.

Jeph Loeb reconheceu que os responsáveis da Marvel TV ficaram "desiludidos com o que aconteceu" e explicou que não foi uma decisão sua.

"Estávamos a ter uma festa no bairro em Nova Iorque e eles revogaram a autorização", afirmou, usando uma metáfora para caracterizar o que aconteceu quando a Netflix acabou com as séries Marvel cuja ação se passa naquela cidade, incluindo "Demolidor", "Luke Cage", "Punho de Ferro" e "Jessica Jones".

"Não foi uma decisão nossa, foi da Netflix", referiu. "Têm o direito de o fazer e o que posso dizer é que essas personagens vão continuar a viver e veremos o que vai acontecer".

Jeph Loeb foi um dos produtores das séries "Lost" e "Smallville" e tem uma carreira extensa na banda desenhada, incluindo a autoria de "The Long Halloween", que influenciou o filme "Batman Begins" em 2005.

Exclusivos