Detido na Guatemala ex-militar acusado de genocídio

Cidade da Guatemala, 17 jun 2019 (Lusa) - O ex-general da Guatemala Luis Mendoza, acusado de genocídio contra povos indígenas e procurado pelos tribunais desde 2011, foi detido no domingo, anunciaram as autoridades locais.

Mendoza é acusado de ter participado no massacre de indígenas da etnia Ixil, durante a guerra civil (1960-1996) que deixou mais de 200 mil mortos e desaparecidos naquele país, de acordo com a ONU.

O antigo chefe militar foi detido na cidade de Salama, a cerca de 55 quilómetros da capital guatemalteca, quando saía de uma secção de voto depois de participar nas eleições presidenciais, municipais e legislativas realizadas no país, no domingo.

"Esta detenção é aguardada há muitos anos. Para as vítimas, é muito importante", disse à agência de notícias France-Presse (AFP) o advogado Héctor Reyes, de uma organização de direitos humanos que apresentou denúncias neste processo.

Luis Mendoza foi um dos principais líderes do exército durante a ditadura de Efrain Rios Montt (1982-1983), que morreu no ano passado, aos 91 anos.

Retirado do poder por outro golpe de Estado, Efrain Rios Montt foi julgado, em 2013, pelo massacre de mais de mil indígenas da etnia Ixil, que vive no norte da região guatemalteca de El Quiché, e pelo assassínio de 250 camponeses em Petén, região nortenha do país.

Foi condenado a 80 anos de prisão, mas o veredicto foi anulado por erros processuais e o antigo ditador morreu antes de poder ser novamente julgado.

A guerra civil na Guatemala deixou 200 mil mortos e desaparecidos, segundo as Nações Unidas.

No domingo, mais de oito milhões de pessoas na Guatemala foram chamadas às urnas para eleições presidenciais, municipais e legislativas, depois de uma campanha marcada pela exclusão da corrida presidencial de figuras da luta conta a corrupção no país e por ameaças de morte a candidatos.

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