Cores dos machos das lagartixas-dos-muros influenciam seleção sexual - estudo

Investigadores do Porto concluíram que as cores apresentadas pelos machos das lagartixas-dos-muros, uma espécie "com ampla distribuição pela Europa", influenciam a intensidade da competição e da seleção sexual, bem como a sua diversidade morfológica.

De acordo com o investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO-InBIO) da Universidade do Porto, Miguel Carretero, sabe-se, através deste estudo, que as variações morfológicas "são reais" e não "um resultado das limitações dos nossos olhos", visto que as medições para chegarem a esse resultado foram feitas com recurso a aparelhos.

Para além disso, verificaram que os indivíduos em liberdade têm tendência a acasalar segundo a cor (macho branco com fêmea branca, por exemplo), que os machos de determinadas cores ganham aos outros em combates (os laranjas perdem mais vezes) e que as cores podem ser usadas como sinais de comunicação.

Este estudo, segundo indicou à Lusa, faz parte de um projeto que visa perceber as razões que levam ao aparecimento do polimorfismo (variações fenotípicas entre os indivíduos de uma mesma população ou ao longo do ciclo de vida individual de um organismo) na evolução das espécies e a sua permanência.

Foram assim examinadas 116 populações de lagartixas-dos-muros ('Podarcis muralis'), provenientes dos Pirenéus, para verificar se os padrões de cor apresentados seriam afetados pela seleção sexual, tomando como medida a relação entre o número de machos e fêmeas (rácio sexual).

Os resultados sugerem que "a competição sexual pode contribuir para a diversidade de cor nas lagartixas-dos-muros", o que possibilita "a existência de táticas de acasalamento alternativas, num processo evolutivo mais complexo do que conhecemos até agora", referiu o investigador Guillem Pérez i de Lanuza, também envolvido no projeto.

"Quanto maior a proporção de machos, mais variadas são as cores", explicou Miguel Carretero, acrescentando que "o aumento das cores habitualmente minoritárias é a resposta a um excesso de competidores", no entanto, em situações "mais relaxadas" a cor amarela é muito escassa ou inexistente, o que sugere que o comportamento associado a esta é pouco efetivo nestas circunstâncias.

A escolha recaiu sobre esta espécie, com uma "ampla distribuição" pela Europa, por a mesma apresentar uma grande variação de cores, em ambos os sexos, que incluem o branco, o amarelo e o laranja e as combinações de branco e laranja e amarelo e laranja.

Para o investigador, projetos como este permitem verificar como a variabilidade nas espécies promove a evolução e os mecanismos de formação de novas espécies e quais os fatores envolvidos, particularmente quando não há uma separação geográfica, mas sim comportamental.

Os trabalhos preliminares para este estudo foram iniciados há quase uma década, na Universidade de Valencia, em Espanha, tendo-se estendido para Portugal através da chegada do investigador Guillem Pérez i de Lanuza, há mais de três anos, facto que consolidou o projeto.

Para além de Guillem Pérez i de Lanuza e de Miguel Carretero, do CIBIO-InBIO, colabora ainda no projeto o professor Enrique Font, do Institut Cavanilles de Biologia Evolutiva da Universidade de Valencia.

Este estudo deu origem ao artigo "Intensity of male-male competition predicts morph diversity in a colour polymorphic lizard", publicado recentemente na revista científica "Evolution".

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