Clima: Regulador dos EUA dos mercados derivados alerta para impacto económico

Nova Iorque, 12 jun 2019 (Lusa) -- As catástrofes provocadas pelas alterações climáticas podem ter um forte impacto na economia e representarem assim uma ameaça real para o sistema financeiro, afirmou hoje um regulador norte-americano, que apelou a medidas de contenção.

Só em 2018, as catástrofes custaram 160 mil milhões de dólares (142 mil milhões de euros) no mundo, sublinhou Rostin Behnam, comissário na agência dos EUA encarregue de controlar os mercados de produtos financeiros derivados (CFTC, na sigla em inglês), durante a abertura de uma conferência sobre o assunto em Washington.

"Os mercados de matérias-primas e os mercados financeiros que os sustentam vão sofrer se não tomarmos medidas para conter os riscos de contágio", acrescentou.

No seio da CTFC, no seguimento da reflexão de outros reguladores financeiros mundiais, previu a criação de uma comissão dedicada à avaliação dos riscos que as alterações climáticas colocam aos mercados financeiros.

Behnam, um democrata nomeado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para o cargo, declarou-se assim em contrapé com a Casa Branca, que decidiu retirar os EUA do acordo de Paris sobre o clima.

Trump, um cético sobre o clima, rejeitou de forma seca, no final de 2018, as conclusões de um relatório detalhado do seu próprio Governo a prevenir para as consequências desastrosas das alterações climáticas para a economia norte-americana: "Não acredito".

No passado já tinha classificado as alterações climáticas como uma "fraude" e duvidado das suas causas humanas.

"Os impactos das alterações climáticas afetam todos os aspetos da economia norte-americana, desde a produção agrícola até à atividade industrial, e o financiamento de todas estas atividades", afirmou Behnam.

"Recusar tratar os riscos para os mercados financeiros associados às alterações climáticas vai afetar o crescimento económico", acrescentou.

Como exemplo, mencionou as inundações históricas que têm ocorrido no centro dos EUA, e que impediram sementeiras nos últimos meses, ou os gigantescos incêndios que afetaram a Califórnia nos últimos anos.

O novo contexto ambiental tem de ser considerado não apenas por seguradoras, gestores de investimentos, fundos de pensões e bancos comerciais e de retalho, mas também "pelos mais afetados que são frequentemente os agricultores, os investidores, os clientes, os consumidores e os proprietários imobiliários", avançou.

Exclusivos