César diz que PS preferiu o interior enquanto outros escolhem destinos turísticos

O presidente do PS afirmou hoje que o seu partido escolheu realizar as suas Jornadas Parlamentares numa zona do interior longe dos decisores políticos, em Trás-Os-Montes, e não numa área turística para aproveitar o sol.

Carlos César falava aos jornalistas no final de uma visita à Obra Social Padre Miguel e antes de se deslocar a Mirandela, no primeiro de dois dias de Jornadas Parlamentares do PS em Bragança.

Na próxima semana o PSD realiza Jornadas Parlamentes em Albufeira e o Bloco de Esquerda em Tavira, dois municípios do Algarve.

"Podíamos fazer destas jornadas mais uma reunião entre as muitas que fazemos em Lisboa, ou até aproveitar esta época do ano com mais sol para ir para locais turísticos, trabalhando aí. Mas queremos insistir em estar no Portugal que mais precisa da atenção política e dos decisores políticos", declarou o líder da bancada socialista.

Carlos César disse depois que, apesar da evolução positiva dos indicadores macroeconómicos de Portugal, "o país tem ainda grandes dissonâncias e grandes desigualdades".

"A nossa responsabilidade de deputados não é apenas a de apoiar as propostas do Governo e encomiar a administração. A nossa função é justamente a de, apoiando este Governo, permitir que ele seja melhor, tendo maior consciência das desigualdades e diferenciações no território nacional", apontou.

O distrito de Bragança, de acordo com o presidente do PS, "sendo o quinto maior em área territorial, é o penúltimo em densidade populacional e tem um índice de envelhecimento mais elevado de Portugal (o dobro da média nacional)".

"Bragança tem problemas que resultaram do enfraquecimento dos serviços públicos, designadamente no decurso do Governo PSD/CDS-PP. Nos sistemas de saúde, justiça, educação e segurança interna foram tomadas medidas que lesaram muito esta região. Não estamos ainda em condições de fazer a reversão completa desses prejuízos, mas já se sentem bons sinais ao nível da recuperação das empresas e do emprego", advogou.

O presidente do PS negou neste contexto estar a fazer o discurso do combate às desigualdades para "acalmar" os parceiros de esquerda (Bloco, PCP e PEV) que suportam o Governo na Assembleia da República.

"O nosso trabalho não é o de acalmar nenhuma outra força partidária, mas o de dar resposta às necessidades dos portugueses. Estamos aqui também para salientar que não devemos embarcar em euforias, nem promover a ocultação do que positivo tem sido feito no país. O Governo tem consciência de que os seus sucessos têm de ser continuados e duradouros, atingindo o Portugal inteiro", acrescentou.

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