Central sindical "vigorosamente" contra congelamento de salários em Moçambique

O secretário-geral da Organização dos Trabalhadores de Moçambique (OTM - Central Sindical), a maior do país, disse hoje que o organismo vai "combater vigorosamente" a proposta do patronato de congelar os aumentos salariais e o 13º salário em 2018.

"Rejeitamos de forma vigorosa a proposta. Vamos combate-la vigorosamente porque não devem ser os pobres trabalhadores a pagar a fatura da crise", disse Alexandre Munguambe em declarações à Lusa.

O dirigente assinalou que os trabalhadores moçambicanos viram o seu poder de compra desgastar-se devido à elevada inflação no país e outros fatores relacionados com a crise.

"Os trabalhadores perderam mais de metade do seu salário com a situação económica e pedir-lhes mais sacrifícios seria desumano", sublinhou Alexandre Munguambe.

As empresas e o Governo, prosseguiu o secretário-geral da OTM, devem identificar outros custos para fazer cortes, pois os salários não são os únicos fatores de custo na estrutura de negócios.

"Ao invés de se comprarem Mercedes, que se comprem carros mais condizentes com a situação do país e no lugar de as reuniões serem em estâncias turísticas de luxo, que sejam nas instalações das próprias empresas e dos ministérios, no caso do Governo", acrescentou.

O secretário-geral da OTM repudiou o facto de o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), a maior organização patronal do país, Agostinho Vuma, ter anunciado a proposta de congelamento dos aumentos salariais e do 13º ordenado sem a ter levado à Comissão Consultiva de Trabalho (CCT).

A CCT é uma instância que junta os sindicatos, Governo e patronato para a discussão de matérias de interesse laboral.

Alexandre Munguambe disse à Lusa que os trabalhadores não vão tolerar o pagamento de metade do 13º salário no Estado, como aconteceu no ano passado.

"Não toleraremos esse corte, como aconteceu no ano passado. O Governo decidiu unilateralmente por essa ação, mesmo tendo assento no Comissão Consultiva do Trabalho (CCT)", afirmou Alexandre Munguambe.

Falando no V Conselho de Monitoria do Ambiente de Negócios, na sexta-feira, o presidente da CTA propôs ao Governo moçambicano o congelamento em 2018 do aumento nos ordenados e do 13º salário, visando atenuar o desequilíbrio das contas públicas.

"Na perspetiva da austeridade da despesa pública, precisamos de ir a fundo nas reformas, para enfrentar os desequilíbrios, introduzindo medidas como o congelamento dos aumentos salariais em 2018 e suspendendo o 13º", declarou o presidente da CTA, Agostinho Vuma.

Vuma afirmou que o Governo deve ainda congelar as promoções automáticas nas carreiras dos funcionários e agentes do Estado e a aquisição de bens materiais de alto valor.

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