Campanha eleitoral na Austrália entra na reta final com Trabalhistas a liderar sondagens

Camberra, 16 mai 2019 (Lusa) -- Os líderes partidários australianos estão hoje envolvidos nas últimas grandes ações de campanha, na reta final das eleições legislativas de sábado, cujo resultado final pode demorar mais a conhecer devido ao largo número de votos postais.

Bill Shorten, líder do Partido Trabalhista Australiano (ALP) - que as sondagens apontam com próximo primeiro-ministro --, e Scott Morrison, o líder dos liberais e atual primeiro-ministro, fazem hoje os últimos grandes discursos da campanha.

Shorten tem tentado consolidar a opinião de que, depois de sucessivas crises políticas, é chegada a altura de mudança.

O candidato escolheu o Bowman Hall, no subúrbio de Blacktown, nos arredores de Sydney, para o seu último grande discurso, fazendo recordar o discurso de 1972 de um dos maiores líderes dos trabalhistas, Gough Whitlam, que dias depois se tornou no primeiro chefe do Governo do seu partido em 23 anos.

Do outro lado, Morrison insiste na mensagem de que esta não é a altura de mudar o Governo, sendo essencial consolidar a agenda económica da coligação conservadora.

A imprensa australiana dá conta de que, nas principais sondagens, os trabalhistas mantêm uma liderança que lhes deverá garantir a vitória no sábado, com sinais até de alguma tensão no seio da coligação do Governo.

Questões como a economia e o clima, que têm dominado os debates, podem acabar por ser decisivas para o eleitorado, com sondagens a mostrarem que a maioria dos eleitores não concorda com as posturas adotadas nestes grandes temas pelo executivo.

Os mais de 16 milhões de eleitores terão 7.000 locais de voto para eleger os membros do 46.º Parlamento e o sucessor do Governo minoritário da coligação de direita entre os Liberais e os Nacionais, liderado por Scott Morrison -- que assumiu o cargo depois de um desafio interno à liderança do seu antecessor, Malcolm Turnbull.

Além da coligação, vão a votos o Partido Trabalhista Australiano (ALP), de centro-esquerda, liderado por Bill Shorten, os Verdes, a Centre Aliance, o Katter's Australian Parti e a One Nation, entre outros.

Estão registados um total de 1.514 candidatos, dos quais 1.056 para a Câmara de Representantes e 458 para o Senado.

Em 2016, nas anteriores eleições, o resultado foi tão próximo -- o mais renhido desde 1961 - que o então primeiro-ministro, Malcolm Turnbull, só conseguiu assegurar a governação oito dias depois, com apoio de independentes.

A barreira de maioria é de 77 mandatos, sendo que a eleição poderá ser decidida numa mão-cheia de locais onde alguns importantes líderes nacionais estão em risco de perder o seu mandato.

As urnas abrem, tendo em conta os diferentes fusos horários, às 08:00 e fecham às 18:00.

 

 

 

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