Câmara de Castelo de Vide quer criar ecoparque na albufeira de Póvoa e Meadas

Castelo de Vide, Portalegre, 17 jun 2019 (Lusa) -- A Câmara de Castelo de Vide, no Alto Alentejo, quer passar a gerir uma área de 25 hectares junto ao paredão da barragem de Póvoa e Meadas para criar um ecoparque, revelou hoje o presidente do município.

Segundo António Pita, a autarquia espera que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), proprietária do espaço, aceite a proposta para que seja criado um ecoparque, num investimento de 500 mil euros.

"Se não for a câmara a tratar os 25 hectares de terreno, tenho a certeza absoluta que vão ficar ao abandono", alertou o autarca de Castelo de Vide, no distrito de Portalegre, lembrando que o espaço já esteve sob responsabilidade da EDP.

António Pita adiantou à agência Lusa ter já apresentado ao Governo a intenção do município em gerir o espaço e criar um ecoparque, com centro de interpretação, percursos interpretativos em torno da albufeira, um cais e mobiliário para a prática de desportos aquáticos, um parque de caravanismo, um parque de campismo, um pavilhão multiusos e um restaurante, com bar e cafetaria.

"A barragem só vai ser requalificada no dia em que a câmara municipal, por estar próxima, por ser estratégica e ser a principal interessada, fizer a gestão do território. Não tendo essa competência e estando de mãos atadas, não pode fazer nenhuma coisa", sublinhou.

O terreno que a câmara quer gerir é o mesmo onde já decorreu, até 2016, o Festival Andanças, que este ano previa regressar ao local, mas a organização cancelou recentemente o evento, alegando que o certame regressará com um "formato adaptado" aos desafios emergentes.

Sobre o Andanças, o autarca disse esperar que continue a ser realizado em Castelo de Vide, tendo já solicitado à organização, a PédeXumbo - Associação para a Promoção da Música e Dança, uma resposta sobre a continuidade do festival no concelho, até ao dia 15 de outubro.

A organização do Festival Andanças tinha anunciado que o certame regressava em agosto às margens da albufeira de Póvoa e Meadas, onde um incêndio, na tarde de 03 de agosto de 2016, destruiu total ou parcialmente 458 viaturas estacionadas junto ao recinto.

O cancelamento do festival de 2019 foi anunciado no início deste mês, através de um comunicado divulgado na página de Internet da PédeXumbo, que alega não estarem reunidos os "pressupostos necessários" para realizar o evento, inicialmente previsto para o período entre 04 e 10 de agosto.

"Este regresso tinha como primordial objetivo assegurar que todos os participantes voltassem a desfrutar de um Andanças com duração de sete dias, pleno de entretenimento, com segurança e conforto", referiu a organização.

Contudo, "apesar de todas as diligências realizadas, é neste momento impossível garantir os pressupostos necessários à realização do que projetámos para esta edição", lê-se no documento.

A organização do festival, que este ano cumpria a sua 24.ª edição, alegou ainda que não existe um espaço alternativo à albufeira de Póvoa e Meadas, situação que torna "inviável" prosseguir com o processo de produção.

"Não existindo atualmente alternativas ao espaço onde estava prevista a realização desta edição, torna-se inviável prosseguir com o processo de produção, não restando outra alternativa à PédeXumbo senão o cancelamento do Festival Andanças 2019", lê-se no comunicado.

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