Cabo Verde em Macau para se promover como "destino de investimento" - diretor de Turismo

Macau, China, 26 abr 2019 (Lusa) - O diretor-geral do Turismo e Transportes de Cabo Verde disse hoje à Lusa que o país está em Macau para se promover a nível turístico, "mas acima de tudo como um destino de investimento" chinês.

O objetivo é "promover Cabo verde como um destino turístico, mas também acima de tudo como um destino de investimento", afirmou Francisco Sanches Martins, em declarações à Lusa, à margem da 7.ª Expo Internacional de Turismo de Macau.

O responsável do turismo cabo-verdiano acredita que a China pode "fazer de Cabo Verde a sua plataforma de negócios", especialmente através da iniciativa chinesa "Uma Faixa, Uma Rota"

"Temos uma posição geoestratégica muita boa no Atlântico médio, estamos a quatro horas da Europa, a quatro da América Latina, a seis horas da América do Norte e a uma hora do continente africano", frisou.

Em relação aos investimentos que podem interessar mais a Cabo Verde, Francisco Sanches Martins destacou a 'economia azul', desportos náuticos e "outras atividades ligadas às potencialidades marítimas".

"A China e Cabo Verde já têm uma cooperação de longa data e Macau (...) vem desempenhando um papel muito importante nessa ligação", sublinhou, dando ênfase ao facto de muitos estudantes cabo-verdianos virem estudar para Macau.

O responsável lamentou, contudo, a pouca quantidade de turistas chineses e de Macau que viajam para Cabo Verde.

"A nível turístico ainda estamos numa fase incipiente, não há tantos turistas chineses nem de Macau a irem para Cabo Verde", mas é algo que o Governo de Cabo Verde quer impulsionar", destacou.

Na praia da Gamboa está a crescer o maior empreendimento turístico previsto para Cabo Verde, com um investimento superior a 200 milhões de euros, estando a ser feito pelo empresário de Macau David Chow.

Este complexo turístico com hotel, marina, centro de convenções e casino "vai-nos permitir incrementar mais essa ligação com a realização do projeto que esperamos estar pronto daqui a mais ou menos três anos", destacou Francisco Sanches Martins, no espaço de exposição do país, perto dos restantes sete expositores dos países lusófonos, na Expo Internacional de Turismo de Macau.

Este ano o evento conta com 835 expositores, com todos os países lusófonos presentes, e com o dobro da área de exposição de 2018, atingindo os 22.000 metros quadrados.

Esta sétima edição, que decorre até domingo, tem como destaques as celebrações do 20.º aniversário do estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau, o papel de Macau nos ambiciosos projetos chineses como a Nova Rota da Seda e a participação na construção de uma metrópole mundial com Hong Kong e nove cidades chinesas, mas também o papel de Macau como plataforma entre a China e os países de língua portuguesa.

Por um lado, o território pretende promover parcerias turísticas com os países integrantes da iniciativa chinesa "Uma faixa, Uma Rota", por outro quer incentivar os operadores turísticos a desenvolverem itinerários multi-destinos nas cidades e territórios da Grande Baía, a metrópole mundial que abrange um território onde vivem cerca de 70 milhões de pessoas.

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