Bruxelas tem 2 mil ME para ser acionista de 'startups' e procurar novas ideias na UE

A Comissão Europeia vai investir dois mil milhões de euros para criar um Conselho Europeu da Inovação, projeto que vai tornar Bruxelas acionista de 'startups' e pequenas e médias empresas na União Europeia (UE), captando ainda novas ideias.

Em causa está o projeto piloto que arranca hoje, estabelecendo que a Comissão Europeia possa "entrar no capital das empresas, comprando ações dessa empresa e ficando um acionista", afirmou hoje o comissário europeu para as áreas da Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, em declarações aos jornalistas portugueses em Bruxelas.

Notando ser "a primeira vez" que Bruxelas dá passos para fazer investimentos diretos no setor privado, o responsável observou que o programa muda, assim, a forma como são financiadas as 'startups' e as Pequenas e Médias Empresas (PME) na UE, o que até agora era feito apenas à base de bolsas.

"Isso traz uma grande vantagem: é que se aquela inovação funcionar, nós depois podemos também receber o valor dessas ações, que vão aumentar, e ao receber esse dinheiro podemos financiar outros [projetos] que não poderiam ser financiados se só tivéssemos bolsas", adiantou Carlos Moedas.

Para entrar na estrutura das companhias, a Comissão Europeia vai criar, em conjunto com o Banco Europeu de Investimento e o Fundo Europeu de Investimento, uma entidade "para fazer esses investimentos".

"Ainda não definimos exatamente como vamos entrar no capital das empresas, mas não queremos ser um acionista típico, portanto é uma percentagem para ajudar a empresa e até para atrair outros investidores", referiu o comissário europeu.

A partir de hoje, Bruxelas está, assim, a receber candidaturas de empreendedores ou de empresas que queiram apoio deste Conselho Europeu da Inovação, projeto que está em fase piloto até 2020 e para o qual serão alocados dois milhões de euros em 2019 e 2020, após quase mil milhões aplicados no ano passado.

O perfil dos participantes é variado, segundo Carlos Moedas: "Vai ser desde uma ideia [...] até uma empresa que já tenha 10 ou 20 pessoas ou empresas maiores até 100 pessoas, dependendo do valor, mas obviamente estamos a falar de pequenas e médias empresas e de 'startups', não estamos a falar de grandes empresas".

A cada uma das companhias escolhidas serão, então, alocados dois a três milhões de euros em bolsas e até 15 milhões de euros na compra de ações, precisou.

O projeto já teve o aval do Conselho da UE, onde estão representados os Estados-membros, e do Parlamento Europeu, é financiado pelo programa de investigação e inovação da UE, o Horizonte 2020.

"Se correr mal, não recebemos [dividendos], mas quando fazemos bolsas também não as recebemos de volta. Pelo menos aqui vemos alguma oportunidade de ver algum retorno de uma parte do dinheiro para ajudar outros", adiantou Carlos Moedas.

Além destes financiamentos, Bruxelas está à procura de olheiros que procurem "onde está a tecnologia" dentro da UE.

Estas serão "pessoas que venham fora do circuito público, que não sejam funcionários públicos, que pudessem ser um bocadinho 'project managers', para olhar para novas tecnologias, o que se está a fazer na Europa, e depois tentar ir financiar empresas", concluiu o responsável.

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