Brasil/Eleições: 90% dos eleitores de Bolsonaro acreditaram em 'fake news' - Estudo

Um estudo da organização Avaaz apontou que 98,21% dos eleitores do Presidente eleito brasileiro, Jair Bolsonaro, foram expostos a uma ou mais notícias falsas durante a campanha eleitoral e 89,77% acreditaram que eram verdade.

"As 'fake news' [notícias falsas, em português] devem ter tido uma influência muito grande no resultado das eleições, porque as histórias tiveram um alcance absurdo. A informação [falsa] das fraudes em urnas eletrónicas com o intuito de contabilizar votos para Fernando Haddad, do PT [Partido dos Trabalhadores], alcançou 16 milhões de pessoas nas redes sociais, 48 horas após a primeira volta das eleições e a notícia continuou viva na segunda volta", afirmou o coordenador de campanhas da Avaaz, Diego Casaes, citado pelo jornal Folha de São paulo.

A pesquisa foi realizada pela plataforma Idea Big Data, de 26 a 29 de outubro, com 1.491 pessoas no país, tendo analisado as rede socias Facebook e Twitter.

"As pessoas conhecem o problema das 'fake news' e têm clareza do impacto negativo que causam, mas as notícias falsas trazem elementos passíveis da verdade, como a montagem do vídeo no caso da informação sobre a fraude nas urnas, por exemplo", afirmou Casaes.

O estudo também revelou que 85,2% dos eleitores do Bolsonaro entrevistados leram a notícia que Fernando Haddad implementou o 'kit gay' (livro sobre educação sexual) e 83,7% acreditaram na história, que se comprovou ser falsa.

Dos eleitores de Haddad que foram entrevistados, 61% viram a informação e 10,5% acreditaram nela.

O CEO (chefe executivo) e fundador da Avaaz, Ricken Patel, disse que a democracia brasileira está a afogar-se em notícias falsas: "Essas histórias foram armas tóxicas cuidadosamente fabricadas para destruir a elegibilidade de um candidato. E com a ajuda do Facebook e WhatsApp", afirmou.

O candidato do Partido Social Liberal (PSL, extrema-direita), Jair Messias Bolsonaro, 63 anos, capitão do Exército reformado, foi eleito no domingo, na segunda volta das eleições presidenciais, o 38.º Presidente da República Federativa do Brasil, com 55,1% dos votos, derrotando o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, que teve 44,9% dos votos.

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