Bombeiros: Proteção Civil de Aveiro apela à intervenção de António Costa

O presidente da Comissão Distrital de Proteção Civil de Aveiro apelou hoje à intervenção do primeiro-ministro nas negociações com os bombeiros, manifestando solidariedade com as 25 corporações do distrito que decidiram não reportar as ocorrências ao CDOS.

Em declarações à agência Lusa, Silvério Regalado considerou justa a maioria das reivindicações dos bombeiros, realçando a importância de o Governo e a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) se sentarem à mesma mesa para poderem chegar a um entendimento.

"É fundamental que o próprio primeiro-ministro [António Costa] se envolva diretamente nas negociações, porque depois das declarações públicas do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, a sua capacidade para se sentar à mesa das negociações diminuiu brutalmente", disse Silvério Regalado, que é também presidente da Câmara de Vagos.

O presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Aveiro, José Carlos Pinto, disse que as 25 corporações existentes no distrito aderiram à decisão da LBP de não reportar as ocorrências ao Comando Distrital de Operações e Socorro (CDOS).

"Estamos a trabalhar, respeitando aquilo que foram as decisões do Conselho Nacional da Liga dos Bombeiros Voluntários. O distrito de Aveiro, face à sua organização, foi sempre muito coeso e de fácil mobilização, quer seja para missões de proteção e socorro ou para situações em que seja necessário haver união", referiu José Carlos Pinto.

O presidente da Federação, que é também comandante dos Bombeiros de Lourosa, disse que os bombeiros esperavam que houvesse por parte do Governo uma tentativa de negociação, o que não aconteceu, adiantando que, por esse motivo, "havia necessidade de evoluir nas medidas a implementar".

"O distrito de Aveiro curiosamente não defendia a paragem neste fluxo de informação, mas decidimos respeitar aquilo que são as decisões nacionais para criar melhores condições para os bombeiros", afirmou.

O presidente da Federação dos Bombeiros disse ainda que se trata de uma medida "pacifica", assegurando que esta situação não está a afetar a resposta a ocorrências.

"O socorro em Portugal está garantido independentemente do tipo de contacto que seja. A única coisa que estamos a fazer é que não reportamos as saídas à Proteção Civil, nem atualizamos o ponto de situação. Se tivermos a necessidade de reforço de meios, fazemo-lo diretamente ao corpo de bombeiros", explicou.

José Carlos Pinto considerou "extremamente" importante haver uma central de coordenação distrital, manifestando o desejo que a situação "seja resolvida o quanto antes e que haja aqui alguma capacidade de negociação".

Contactado pela Lusa, o Comandante Operacional Distrital de Aveiro, António Ribeiro, limitou-se a dizer que os bombeiros do distrito estavam solidários com a decisão da Liga.

O Conselho Nacional da LBP decidiu suspender toda a informação operacional aos Comandos Distritais de Operações de Socorro (CDOS) desde as 00:00 de domingo.

No mesmo dia, o presidente da LBP, Jaime Marta Soares, e a ANPC garantiram que a suspensão de informações operacionais por parte dos bombeiros à ANPC não compromete o socorro à população.

Também no domingo, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, considerou que a suspensão de informações operacionais por parte dos bombeiros à ANPC é ilegal e coloca em causa a segurança das pessoas ao afetar a coordenação de meios de resposta.

A LBP reivindica uma direção de bombeiros autónoma independente e com orçamento próprio, que diminua os custos e aumente a eficácia, um comando autónomo e o cartão social do bombeiro.

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