Bayer vende à BASF parte do negócio de produtos fitossanitários por 5.900 ME

O gigante alemão Bayer anunciou hoje a venda à BASF de parte do negócio de produtos fitossanitários por 5.900 milhões de euros, para cumprir todos os procedimentos que permitam comprar o fabricante norte-americano de transgénicos Monsanto.

A multinacional farmacêutica e química germânica informou hoje que a venda à sua rival inclui o negócio de glufosinato de amónio, um herbicida, e atividades desenvolvidas com algumas sementes, que nos dois casos geraram uma faturação de 1.300 milhões de euros em 2016.

Este negócio "é importante" para que a Bayer consiga comprar a Monsanto, adverte a multinacional alemã, em comunicado.

A BASF compromete-se a manter todos empregos que forem transferidos até, pelo menos, três anos depois de a operação de compra à Bayer ser concluída.

O presidente da Bayer, Werner Baumann, afirmou que a multinacional germânica está "ativa e atenta" com o objetivo de ultrapassar possíveis situações com os reguladores e assim concluir a transação de compra da Monsanto.

A venda de parte do negócio de produtos fitossanitários à BASF terá ainda ser aprovada pelas autoridades de defesa da concorrência.

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Clima: mais um governo para pôr a cabeça na areia

Poderá o mundo comportar Trump nos EUA, Bolsonaro no Brasil, Erdogan na Turquia e Boris no Reino Unido? Sendo esta a semana do facto consumado do Brexit e coincidindo com a conferência do clima da ONU, vale a pena perguntarmos isto mesmo. E nem só por razões socioideológicas e políticas. Ou sobretudo não por estas razões. Por razões simples de simples sobrevivência do nosso planeta a que chamamos terra - porque é isso que é fundamentalmente: a nossa terra. Todos estes líderes são mais ou menos populistas, todos basearam as suas campanhas e posteriores eleições numa visão do mundo completamente conservadora - e, até, retrógrada - do ponto de vista ambiental. E embora isso seja facilmente explicável pelas razões que os levaram à popularidade, é uma das facetas mais perigosas da sua chegada ao poder. Vem tudo no mesmo sentido: a proteção de quem se sente frágil, num mundo irreconhecível, em acelerada e complexa mudança, tempos de um paradigma digital que liberta tarefas braçais, em que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, em que os jovens podem saber mais do que os mais velhos... e em que nem na meteorologia podemos confiar.

Premium

Pedro Lains

Boris Johnson e a pergunta do momento

Afinal, ao contrário do que esperava, a estratégia do Brexit compensou, isto é, os resultados das eleições desta semana deram uma confortável maioria parlamentar ao homem que prometeu a saída do Reino Unido da União Europeia. A dimensão da vitória põe de lado explicações baseadas na manipulação das redes sociais, da imprensa ou do eleitorado. E também põe de lado explicações que colocam o desfecho como a vitória de uma parte do país contra outras, como se constata da observação do mapa dos resultados eleitorais. Também não se pode usar o argumento de que a vitória dependeu de um melhor uso das redes sociais, pois esse uso estava ao alcance de todos e se o Partido Trabalhista não o fez só ele pode ser responsabilizado. O Partido Conservador foi mais profícuo em mentiras declaradas, mas o Partido Trabalhista prometeu coisas a mais, o que é diferente eticamente, mas não do ponto de vista da política eleitoral. A exceção, importante, mas sempre exceção, dada a dimensão relativa da região, foi a Escócia, onde Boris Johnson não entrou. Mas a verdade é que o Partido Conservador conseguiu importantes vitórias em muitos círculos tradicionalmente trabalhistas. Era nessas áreas que o Manifesto de esquerda tradicional teria mais hipóteses de ganhar, pois são as áreas mais afetadas pela austeridade dos últimos nove anos. Mas tudo saiu ao contrário. Porquê?