Aliança/Congresso: CAP espera que partido faça "a diferença" no mundo rural

O secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Luís Mira, disse hoje esperar que a Aliança faça "a diferença" e entenda "os valores do mundo rural", que os outros partidos "têm receio" de defender.

"Hoje em dia, a sociedade, eu tenho que dizer mesmo aqui isto, os partidos, não reconhecem ou têm receio, para não dizer vergonha, de defender aquilo que são os modos de vida e os valores do mundo rural", afirmou, dando como exemplo a caça ou as touradas.

Segundo Luís Mira, que discursava no primeiro Congresso Nacional da Aliança, que arrancou hoje em Évora, "quando se fala naquilo que é o modo de vida das pessoas" do mundo rural, "parece que todos os partidos têm um receio do politicamente incorreto".

"E ninguém se arrisca, sem medo, assumindo que é assim, porque há pessoas que vivem assim, há pessoas que querem continuar a viver assim", continuou Luís Mira, suscitando uma salva de palmas dos delegados e observadores que participam no congresso do partido, na Arena d'Évora.

O secretário-geral da CAP disse esperar que a Aliança "venha fazer também aqui a diferença", ou seja, "venha entender aquilo que é a vida do mundo rural e aqueles que são os valores do mundo rural".

Na sua intervenção, no congresso da Aliança liderada e fundada por Pedro Santana Lopes, Luís Mira considerou ser um "momento marcante ver nascer" este partido.

Nestes 30 anos, argumentou o secretário-geral da CAP, "a agricultura não teve uma mudança", mas sim "uma revolução".

"Eu costumo dizer que o tomate é vermelho e o Ferrari também é vermelho. A questão é que hoje existe mais tecnologia para produzir um tomate do que para produzir um Ferrari e isto demonstra bem o estado em que a agricultura está. Esta é a agricultura dos dias de hoje", ilustrou.

A importância da Política Agrícola Comum (PAC) e as "preocupações" de que exista, a nível agrícola, uma maior convergência de Portugal com outros países europeus e mais verbas para o desenvolvimento rural foram outros dos temas abordados pelo representante da CAP.

Segundo Luís Mira, "alguns políticos em Portugal dizem que as vacas voam", mas "as vacas na realidade não voam" e, para "se aproveitar uma boa negociação de Bruxelas" e "uma boa aplicação dos fundos comunitários", é necessário "que o Estado funcione bem" e "que o Ministério da Agricultura seja eficiente".

A agricultura "evoluiu muito", mas o Ministério da Agricultura e o Estado não conseguiram "evoluir com a mesma velocidade", criticou.

De acordo com Luís Mira, a agricultura, "hoje produz mais, exporta mais, pesa 16% do Produto Interno Bruto, é tecnologicamente avançada, mas precisa que os políticos" a "conheçam e tenham a coragem de defender os princípios e os valores do mundo rural".

"Só assim conseguirmos construir um Portugal ainda melhor. Um Portugal com aliança".