Águeda e Aveiro deixam cair perfil de via rápida para fazer nova ligação avançar

Os autarcas de Aveiro e de Águeda vão firmar um compromisso para desenvolver uma nova ligação rodoviária entre as duas cidades, prometida há décadas por sucessivos governos, revelou fonte municipal.

A denominada "via rápida Aveiro/Águeda", cuja construção foi anunciada em 2008 pelo ministro Mário Lino, no governo de José Sócrates, com descerramento de placa alusiva, nunca chegou a ter continuidade, apesar das garantias dadas por diferentes governos, das iniciativas parlamentares dos vários partidos e das reivindicações.

Os 22 quilómetros que separam as duas cidades demoram meia hora, ou mais, a percorrer e os empresários de Águeda não têm uma via franca de acesso à rede de autoestradas e ao porto de Aveiro.

Quer do lado do Município de Águeda quer de Aveiro, os autarcas estão agora dispostos a deixar cair o perfil de via rápida, que nunca avançou, e alterar o que está definido em diferentes instrumentos de planeamento, no sentido de admitir que a nova ligação Aveiro/Águeda tenha perfil urbano em parte do percurso.

"Proximamente esta matéria será alvo da apresentação de um compromisso entre as duas câmaras municipais sobre o desenvolvimento desta operação numa nova lógica de parte urbana e de parte não urbana", revelou Ribau Esteves.

"Na parte urbana assumiremos nós as nossas responsabilidades e na parte não urbana continuaremos a trabalhar junto dos governos para nos facultar fundos comunitários para, em sede de comunidade intermunicipal, podermos cumprir esse objetivo", completou.

Do lado de Aveiro, Ribau Esteves diz ter descoberto "o ovo de Colombo" com a alteração ao traçado que vai ser promovida, dando nova utilidade ao nó de S. Bernardo/Oliveirinha da A17 e respetiva rotunda que já estão construídos.

"A alteração que fazemos aqui é quase de ovo de Colombo e é esta: temos o nó da A17 que tem uma densidade de tráfego muito baixa e com aquele nó fazemos a travessia de sul para norte e já estamos do lado de Eixo e Oliveirinha. Não precisamos de um nó novo e do lado norte é a floresta, por onde se pode estruturar a relação com terrenos de usos industriais", diz o autarca.

Para Ribau Esteves, o traçado como estava não fazia sentido, obrigando, por exemplo, um pesado de mercadorias vindo do sul, com destino a uma das fábricas em Eixo, a prosseguir na A17 até ao nó de Esgueira e depois percorrer toda a EN230 em sentido inverso.

"A dificuldade, dados os valores ambientais em causa, era transpor a Ribeira da Horta, mas escolhemos o traçado mais a sul que exige um viaduto bem mais pequeno e depois prosseguimos até chegar ao nosso limite com Águeda", esclareceu.

Lusa / Fim

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