Padre de Sintra faz há 15 anos um compasso pascal de mota

Este ano não foge à regra e o pároco Avelino Alves vai para a estrada rodeado de motards transportando o crucifixo na mão. "É um encontro de camaradagem e de muita fé", diz.

Três localidades do concelho de Sintra vão celebrar este domingo de Páscoa com um compasso pascal motard, um evento que se realiza desde 2007 e que reúne pessoas de várias zonas do país.

Pelo 15.º ano consecutivo, o padre Avelino Alves, da paróquia de Pêro Pinheiro, no concelho de Sintra, sobe a uma mota para percorrer várias localidades, transportando na mão o crucifixo.

Noutros anos, o percurso estendia-se aos municípios vizinhos de Mafra e de Cascais, no distrito de Lisboa, mas devido às restrições impostas pela pandemia da covid-19, este ano percorrerá apenas as localidades da União de Freguesias de Almargem do Bispo, Pêro Pinheiro e Montelavar, segundo explicou o pároco à agência Lusa.

"Este ano vamos circunscrever-nos a Pêro Pinheiro, Montelavar e Almargem do Bispo, por uma questão de apelo feito pela DGS (Direção-Geral da Saúde). É sempre uma enorme festa e juntam-se a nós motards de todo o país", afirmou o padre Avelino Alves.

Por onde passa, conta o pároco, a comitiva motard é recebida com palmas, acenos e ofertas de amêndoas, pão de ló e vinho do Porto. "Quando isto começou as pessoas ainda se admiravam, mas agora já aguardam pela nossa chegada. Encontramos muita gente de diferentes religiões ou sem religião nenhuma, mas que chegam com muito respeito e devoção. É um encontro de camaradagem e de muita fé", sublinha o pároco.

Destes quinze anos em que se realiza este compasso pascal "motard", o padre Avelino destacou alguns momentos marcantes, como o do dia em que a "forte chuva e o granizo que caía" lhe partiu a viseira do capacete, quando recebeu a visita de uma jornalista do Vaticano e a participação de um motard que se deslocou de propósito de Paris. "Há três anos houve um senhor que veio de propósito de Paris. Chegou na sexta-feira e partiu logo na segunda. É extraordinário", observou.

Segundo o pároco de Pêro Pinheiro, várias regiões do país, nomeadamente localidades do distrito de Coimbra, Guarda e Viana do Castelo, já estão a realizar o compasso pascal em "duas rodas".

O padre Avelino vai aproveitar este compasso pascal para lembrar as vítimas da guerra na Ucrânia, e por isso usará um capacete com a inscrição "Peace for Ukraine My God". Ao jornal Correio de Sintra, o pároco não escondeu a sua "profunda tristeza" com a guerra: "É bom rezar, mas não chega. Temos que ser mais solidários e compreensivos uns com os outros, porque só juntos podemos vencer na vida."

De acordo com o programa previsto, o compasso pascal motard sairá de Pêro Pinheiro às 10.30 de domingo e terminará às 13.00 na localidade de Montelavar, atravessando pelo percurso localidades como Morelena, Cortegaça, Sabugo, Almargem do Bispo, Covas de Ferro, Negrais e Anços.

As informações sobre este evento e os locais de passagem, assim como os horários, podem ser consultados na página do Facebook da Paróquia de Pêro Pinheiro.

Padre da família Salgado

O padre Avelino Pereira Alves foi também notícia em outubro do ano passado por ter sido ouvido como testemunha de Ricardo Salgado no julgamento do ex-banqueiro.

"Sempre foi dizendo que aquilo que mais o fazia sofrer neste processo eram os lesados, porque disse que tinha solução e não lhe deram tempo", afirmou na altura no Juízo Central Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça.

Segundo o padre, que disse conhecer o arguido "há mais de 20 anos" e que todos os domingos se encontravam na missa, além de ter partilhado almoços e jantares em casa do antigo líder do BES, Ricardo Salgado "sempre foi uma pessoa com regras", de "grande confiança" e cujo "porte firme" reconheceu admirar.

"Um homem íntegro, com valores e regras humanas e sociais bem definidas", descreveu Avelino Pereira Alves, enfatizando a relação de amizade entre ambos: "Convivi com ele nestes momentos mais difíceis porque os amigos não devem fugir nestas ocasiões. Nestas adversidades ele tentou explicar o assunto, mas eu não quis saber. A nossa amizade está acima dessas controvérsias". Lusa com DN

dnot@dn.pt

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