Exclusivo Em 1974, a queda do regime alterou a celebração dos Santos Populares 

A revolução do 25 de abril ditou alterações à forma como os alfacinhas viveram, nesse ano, as festas da cidade. "É anunciado o fim das marchas porque estavam muito ligadas ao Estado Novo", explica o coordenador do Museu de Lisboa - Santo António.

A 25 de abril de 1974, o nascer do sol era acompanhado por notícias, ainda confusas, sobre uma revolução em curso liderada pelo Movimento das Forças Armadas. Daí para a frente, a história é bem conhecida de todos. Em 2022, as celebrações da efeméride ganharam particular relevo pelo simbolismo histórico que carregam - pela primeira vez, Portugal tem agora mais tempo de democracia do que aquele vivido sob o peso da ditadura. Porém, e tendo em conta a importância de festas e tradições etnográficas para a máquina de propaganda do Estado Novo, como se viveram os Santos Populares cerca de mês e meio após a instauração da democracia?

O fenómeno não tem sido alvo, ao longo das décadas, do interesse de historiadores e olisipógrafos, mas o atual coordenador do Museu de Lisboa - Santo António, Pedro Teotónio Pereira, reconhece terem existido alterações à organização das festas. "A questão etnográfica estava muito em voga no Estado Novo, era uma corrente internacional", enquadra o mestre em Museologia e Património, que assim justifica a interrupção das marchas populares no coração da capital. Os arcos e as vestes coloridas ficaram arrumados pela forte conotação associada às quatro décadas de censura e repressão, ainda que, sublinha Teotónio Pereira, "o surgimento das marchas seja anterior" ao regime fundado por Salazar.

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