Duas dezenas protestaram junto à Câmara de Lisboa por despejo de cinco famílias

Cerca de duas dezenas de pessoas concentraram-se em frente à Câmara Municipal de Lisboa para protestar contra o despejo de cinco famílias, que ocupavam habitações municipais no bairro Carlos Botelho, na zona das Olaias.

Munidos de tarjas, de um megafone e acompanhados de crianças pequenas, os manifestantes gritaram palavras de ordem contra o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), ao mesmo tempo que no interior do edifício decorria uma reunião do executivo camarário.

A ação de protesto, que foi promovida pela associação Habita, decorreu uma semana depois de cinco famílias (com 10 crianças), que residiam em casas camarárias no bairro Carlos Botelho (Olaias) terem sido alvo de um despejo por parte da empresa municipal Gebalis.

Segundo explicou aos jornalistas Carlotta Manini, da Habita, as famílias "continuam sem alternativa habitacional" e lamentam que a Câmara Municipal não tenha criado um espaço de "diálogo, nem tenha promovido um acompanhamento social".

"Estamos aqui porque os moradores pretendem ser ouvidos e terem soluções. Pretendem soluções para as famílias que foram despejadas, para as listas de espera, mas também para a reabilitação do património público", defendeu a ativista.

Carlotta Monini lamentou ainda que os moradores tenham sido expulsos de "forma violenta" e sem terem tido "tempo para se defenderem".

"São despejos que violaram os direitos destas famílias e, sobretudo, das crianças, que assistiram aos despejos. Foram despejos violentos e ilegais", sublinhou.

Uma das moradoras despejadas foi Mónica Luciano que manifestou a sua revolta e estupefação, uma vez que, segundo assegurou, a casa em que vivia com o marido e com a filha de três anos "não tinha sido arrombada".

"Não é uma casa arrombada, é uma casa que é do tio do meu marido. A filha dele é que nos passou a casa. A gente já tentou tratar várias vezes e estávamos à espera que nos dessem uma renda para pagar e eles colocaram-nos na rua", afirmou.

Enquanto não encontrar uma alternativa habitacional estável, Mónica Luciano vai pernoitando em casas de amigos, segundo contou. "Vivo um dia em casa de um, outro dia em casa de outro, sem apoio nenhum", lamentou.

Entretanto, durante a reunião de Câmara de Lisboa, que decorreu esta tarde nos Paços do Concelho, a vereadora com o pelouro da Habitação, Filipa Roseta (PSD), negou que as cinco famílias despejadas não tenham tido apoio e descartou responsabilidades do município na intervenção policial ocorrida.

Questionada pelo BE sobre os despejos no bairro Carlos Botelho, nas Olaias, nos dias 19 e 20 de abril, a autarca esclareceu que as cinco famílias despejadas estavam a ocupar ilegalmente fogos municipais.

Segundo explicou Filipa Roseta, das cinco famílias, três têm candidaturas em curso para atribuição de casa, mas não têm pontuação suficiente, pelo que a ocupação abusiva é "passar à frente" das cerca de 6.000 pessoas que estão à espera de habitação, acrescentou.

"Isto é um caso dramático, temos 800 casas da Gebalis [Gestão do Arrendamento da Habitação Municipal de Lisboa] ocupadas sem título, ilegalmente", revelou Filipa Roseta, considerando que esta é "uma herança pesada" do anterior executivo presidido pelo PS, já que se verifica "uma espécie de impunidade" nas ocupações abusivas e ilegais de fogos municipais.

Numa intervenção, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), declarou que a "ilegalidade que acontece nestas ocupações não pode continuar", já que está a prejudicar quem está à espera de atribuição de casas municipais.

Além disso, acrescentou, "a lei tem que ser cumprida", embora a humanidade tenha que "ser total" na forma como ocorrerem os despejos.

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