Barreiro está entre as melhores cidades depois de trocar a velha capa cinzenta pelo verde

Mudar o postal do Barreiro perdido no tempo, com prédios ainda cobertos pela antiga fuligem da CUF, é o desafio assumido pelo presidente da Câmara. "Cinco milhões de euros vão ser investidos em arruamentos, iluminação, espaços verdes e recuperação de imóveis", garantiu Frederico Rosa, que aposta em melhorar a face da cidade.

Em terra de Abril, José Pacheco Pereira conta e guarda a história do Barreiro. A partir da Ephemera-Associação Cultural, é testemunha de "um concelho com grande papel na indústria e política que moldou a história recente do país e depois amornou, até se reencontrar". Um reencontro em que "tirar o cinzento do velho e industrial Barreiro é a meta inevitável e o plano em marcha há cinco anos", afirma Frederico Rosa, presidente da Câmara Municipal. "Como? Transformando uma terra de indústria devoluta, em terra de valor ambiental, sem esquecer arte e cultura", justifica.

O resultado já valeu, há cerca de um mês, o "Prémio Autarquia do Ano", promovido pelo Lisboa Awards Group & Eco, com a distinção dos projetos do Parque Recreativo da Cidade - Polis e da requalificação do terreno baldio do Gaio num espaço de lazer e desporto, nas categorias Urbanismo e Espaços Verdes e Urbanismo e Sustentabilidade, respetivamente. O concelho está ainda cotado em 9.º lugar entre os 18 concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, segundo um ranking da Bloom Consulting para 2022, tendo subido dois lugares em relação ao ano anterior. No total nacional está classificado em 36.º lugar.

Conquistas de um ritmo frenético de obras que apagaram vazios urbanos sob o desenho de novos jardins, parques de estacionamento, supermercados e lojas de fast-food e imóveis recuperados. Tudo em ruas iluminadas a LED e à distância de uma viagem num dos 60 autocarros da Transportes Coletivos do Barreiro movidos a gás comprimido.

No centro da cidade o campo do Luso Futebol Clube deu lugar ao Mercado Municipal 25 de Abril. Adiante, na estação ferroviária Barreiro-A, os novos acessos e o jardim contrastam com o terreno baldio que ali estava há décadas. Cidade adentro, as antigas terras da CUF começam a ser desvendadas com um jardim, nas ruas do agora Parque Empresarial da Baía do Tejo há estúdios de produção artística, arquivos históricos e empresas. Ao centro, um mural de Vhils homenageia o passado do Barreiro.

No "Barreiro Velho" há muito por concretizar, mas da câmara vem a palavra de que "cinco milhões de euros vão ser investidos em arruamentos, iluminação, espaços verdes e recuperação de imóveis". Por agora, uma nova esquadra da PSP guarda as velhas ruas.

Garante o socialista Frederico Rosa que "se o Barreiro está mais cosmopolita e verde, deve-se também a um grande trabalho invisível, pois o cinzento começou a ser raspado a partir do subsolo". Quando deu início às primeiras obras, o autarca descobriu que boa parte da rede de abastecimento de água circulava em condutas de fibrocimento com 60 a 70 anos. "Por isso, sempre que um projeto arrancava, começava-se pela troca das infraestruturas no subsolo, o tal trabalho invisível que levaria a outros ganhos ambientais, especialmente no Tejo", explica.

Com cinco praias fluviais no concelho, o Barreiro apenas candidatou Alburrica a zona balnear, mas está confiante tendo em conta "os resultados muito positivos nas análises à água". Em 2023, "se tudo correr bem", junta-se a Alburrica a praia da Caldeira Grande, "novo projeto avaliado em dois milhões de euros e escolhido pela Agência Portuguesa do Ambiente para beneficiar do apoio de fundos comunitários."

Os planos para preservar o ambiente, muito além da Mata da Machada, do Parque da Cidade ou da avenida da Praia tornaram-se tão intensos e voltados para a beira Tejo que, nos últimos quatro anos, o Barreiro ganhou 2101 árvores e a sua área verde chegou aos 45 652 m2. Uma recuperação conquistada, sobretudo, com o Pólis - Programa de Requalificação Urbana e Valorização Ambiental de Cidades.

Herança CDU, a recuperação da vida à beira Tejo começou em 2007, sob a gestão de Carlos Humberto de Carvalho, que liderou a Câmara do Barreiro de 2005 a 2017. Mas as obras apenas seriam concluídas pelo PS, no primeiro trimestre de 2022. Com um investimento total de nove milhões de euros, desde a avenida da Liberdade à Caldeira do Alemão, 1,5 quilómetros de frente ribeirinha têm novos acessos rodoviários, vias pedonais e espaços de lazer. O luxo do pôr-do-sol com vista para o Cristo-Rei e a Ponte 25 de Abril foi democratizado à distância de uma caminhada ou a troco de um café na esplanada. "Neste ritmo eliminou-se o estigma da terra onde nada acontece", comenta Frederico Rosa, que esclarecer: "Só até Abril deste ano 41 novas empresas já abriram atividade no Barreiro. E em 2021, foram 260." Isto sem contar com a atividade cultural, que inclui os novos "Jazz no Parque" e "Feira da Ginja", concertos e exposições regulares no Auditório Municipal Augusto Cabrita, no Parque Empresarial da Baía do Tejo e na Biblioteca Municipal, além de planos para festivais de teatro e literários.

"Oportunidade mudar"

Em cinco anos de governação PS nem todos os momentos foram de vitória. O Barreiro teve perdas com a Quinta do Braamcamp, o terminal logístico de contentores e o aeroporto que ainda não saiu papel.

Apesar dos percalços, Frederico Rosa recorda o que encontrou. Nas Autárquicas de 2017, "muita gente disse que não ia ser possível mudar, após de décadas com militância CDU tão forte". A vitória chegou e com ela "a oportunidade de colocar em prática mudanças, mesmo quando nem tudo corre bem e é preciso adaptar planos".

Na Quinta do Braamcamp, onde nasceria uma urbanização com vista para Lisboa, um hotel, jardins e espaços para prática desportiva, uma providência cautelar interposta por um grupo de cidadãos contra a construção de edifícios em zona de risco de cheias, parou todo o processo. O presidente da Câmara acredita que "ainda será possível transformar a Braamcamp". Se for preciso fazer adaptações ao projeto, faz-se", admitiu.

Já sobre o terminal logístico de contentores, Frederico Rosa considera que "se o Barreiro não é o local indicado, então que se utilizem os antigos terrenos industriais para projetos como a STARTUP, nova incubadora onde vão ficar sediadas empresas e serviços da Câmara".

Até quando o assunto é o novo aeroporto, o otimismo de Frederico Rosa é inabalável. "O aeroporto no Montijo será estruturante para o Barreiro, pois com ele vêm as prometidas ligações rodoviárias ao Seixal - Montijo e, talvez, a terceira travessia do Tejo", justifica.

dnot@dn.pt

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