Moedas, notas e selos. O mundo numa loja da Baixa

A loja Ponto do Colecionador está na Rua do Arsenal há nove anos. Entre as sobreviventes históricas lojas de bacalhau e os expositores de souvenires existe um espaço dedicado aos colecionadores e curiosos.

Moedas, notas, selos e postais enchem a loja do número 68 da Rua do Arsenal, tudo trazido dos vários cantos do mundo pelo iraquiano-israelita Shaul Dan, uma viagem que começou há mais de 50 anos. Os seus filhos, Zaphrier e Sarette Dan, os atuais responsáveis, contam-nos como tudo começou.

"O meu pai começou com o negócio, sem loja, só a fazer feiras". Shaul comprava e vendia pelos jardins de Lisboa, pelo Algarve, Espanha, Alemanha, Hong Kong e outros locais. Quando conheceu Margarita, a sua mulher, natural das Filipinas, continuaram juntos com o negócio e a viajar pelo mundo.

Mas bichinho de colecionador não é genético. Zaphrier, o filho de Shaul, identifica-se como comerciante mas não como colecionador. "Não guardo nada para mim, só compro aquilo que sei que vou vender" afirma assertivamente, diz que prefere a fotografia e preza o tempo dedicado ao seu projeto, a ONG Home for Paws.

Sarette identifica-se com o irmão. "A loja não é o amor da minha vida, mas é um porto seguro, nós voltamos sempre cá". E quando não está na loja dá aulas de ioga - é instrutora desde 2015.

Contudo, não são indiferentes ao valor de certas peças da loja, seja ele monetário ou sentimental. "É difícil desfazer-me de uma coisa ou outra, mas não me impede de fazer o negócio" Zaphrier remata, mas confessa ter ficado "uma semana a remoer" sobre a venda de um álbum de notas da Palestina conseguido pela sua mãe numa feira internacional.

Para Sarette foi uma moeda de Macau que o pai lhe tinha dado, a única que guardou para si, e que vendeu quando o preço de mercado o justificou.

As viagens de negócios aliadas às férias em família fizeram crescer o stock da loja e a mãe Margarita pôs mãos à obra. Além das feiras em que participava em Lisboa, decide abrir a primeira loja na Rua dos Sapateiros em 2006 e o local rapidamente se tornou demasiado pequeno para a coleção. Era tempo para mais uma viagem agora dentro de Lisboa para a rua do Arsenal onde estão desde 2011.

No Ponto do Colecionador existem opções para todos os bolsos e gostos, dizem-nos os irmãos. Zaphrier conta as diferentes motivações dos colecionadores que os visitam: "Há pessoas que colecionam só elefantes ou só barcos ou só tartarugas, ou números numa nota". Os temas mais comuns são coleções motivadas pelos locais visitados por clientes ou datas marcantes; por exemplo datas de nascimento ou marcos históricos.

Para Paulo Jacinto, cliente de 54 anos, são as notas de zero euros de Lisboa e as moedas de dois euros de todo o mundo. As moedas foi recolhendo pelos vários sítios por onde passou, já as notas guardou-as em Lisboa por ser mais económico e realista.

Quando entrou na loja, Paulo afirmou ser apenas um "ajuntador" e não um colecionador. A diferença é que o primeiro apenas acumula itens e o segundo compra e procura expandir a coleção.

Já os turistas que por ali passam procuram mais lembranças do que peças de coleção. "Quando entram é para comprar algo diferente daquele souvenir convencional e acabam por levar uma moeda de Portugal ou uma nota". Zaphrier explica e acrescenta que as mais populares são as alusivas à Monarquia e aos Descobrimentos.

Os autoproclamados ajuntadores, os turistas, os curiosos e os clientes habituais preenchem os dias de Zaphrier. "Tenho clientes que entram na loja duas ou três vezes por semana, apesar de não ter novidades todos os dias. Às vezes é só para meter conversa."

A atual loja conta com detalhes modernos que a distinguem do ideário de uma típica loja de colecionador. Paredes cobertas de packs com notas de diversos países e as pequenas mesas com quilos de moedas e bancos de madeira ao lado, para que os clientes se sentem e vasculhem, falam por si. O convite ao toque e à exploração está por toda a parte.

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