"Se as negociações falharem, esta será uma III Guerra Mundial"

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, renovou na CNN o apelo para conversas com o homólogo Vladimir Putin. E referiu que "uma das poucas vezes" que se riu foi quando ouviu o líder russo falar em desnazificação, por que afinal é de origem judaica.

"Estou pronto para negociar com ele", disse Zelensky ao programa da CNN "Fareed Zakaria GPS", referindo-se ao russo Vladimir Putin, que determinou a invasão da Ucrânia, numa guerra que está já na quarta semana.

"Acho que sem negociações não podemos acabar com esta guerra", disse o líder ucraniano através de um tradutor.

Este apelo de Zelensky por negociações de paz ocorre no momento em que ele e outros ucranianos acusam a Rússia de cometer crimes de guerra e de as forças invasoras bombardearam uma escola que abriga cerca de 400 pessoas na cidade sitiada de Mariupol.

"As forças russas vieram para nos exterminar, para nos matar", disse Zelensky.

O líder, que emergiu como um herói nacional por sua postura pública contra Putin e suas forças, falou da feroz resistência dos ucranianos à invasão e disse à Rússia que vários milhares de seus soldados morreram em batalha até ao momento.

"Se houver apenas um por cento de hipótese de pararmos essa guerra, acho que precisamos de a aproveitar... para ter a possibilidade de negociar, a possibilidade de conversar com Putin", disse ele. "Se essas tentativas falharem, isso significaria que esta é uma terceira guerra mundial", considerou ainda.

Zelensky repetidamente alertou sobre o potencial do conflito Rússia-Ucrânia transformar-se numa guerra à escala global.

A crise na Ucrânia, na qual Putin procurou erradicar as tendências pró-ocidentais no ex-estado soviético, já desencadeou a maior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Zelensky não quer reconhecer independência de Donbass

Zelensky descartou entretanto a hipótese de reconhecer a independência dos territórios da região do Donbass e a soberania russa sobre a Crimeia, na entrevista à CNN, na qual garantiu que não assumirá "nenhum compromisso que afete a integridade territorial e a soberania" da Ucrânia.

Zelensky sublinhou que "como presidente e cidadão" não pode reconhecer a independência dos territórios ucranianos. E, acrescentou, que o povo ucraniano deixou isso claro, depois de receber os soldados russos com "coragem e armas nas mãos e não com um ramo de flores".

Em relação à eventual entrada na NATO, Zelensky assegurou que a própria Aliança Atlântica descartou a admissão da Ucrânia. "A Ucrânia não pode dizer que não se vai juntar à NATO, foi a NATO que disse que não vai admitir a Ucrânia", afirmou.

Embora tenha apreciado o apoio militar e bélico dos membros da NATO para enfrentar a invasão, Zelensky considerou que a guerra não teria começado se a Ucrânia tivesse sido admitida como membro da Aliança Atlântica.

O presidente ucraniano, de origem judaica, revelou que "uma das poucas vezes" que se riu desde o início da invasão russa foi quando ouviu Putin dizer que o objetivo da operação militar é "desnazificar" a Ucrânia.

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