Exclusivo Um ano depois da explosão, Líbano continua sem governo nem esperança

Enquanto o sistema político permanece bloqueado no sistema sectário, a situação económica e financeira agrava-se, para desespero dos libaneses.

Todos os dias é 4 de agosto, todos os dias. Todos os dias eu lembro-me da explosão ou do que aconteceu naquele dia horrível." As declarações à Reuters são de Shady Rizk, um libanês de 36 anos que, como milhares de outros, ficou ferido na sequência da deflagração ocorrida num armazém do porto de Beirute, onde estavam armazenadas há seis anos 2750 toneladas de nitrato de amónio, químico altamente explosivo usado para adubo.

A partir do escritório onde trabalha, Rizk estava a filmar o incêndio resultante da primeira explosão, quando a segunda e mais mortífera o atingiu - tendo obliterado o porto, matado mais de 200 pessoas, e deixado 300 mil pessoas com as casas destruídas. Passado um ano, ainda tem fragmentos de vidro no corpo e o pior não são os 350 pontos com que ficou no corpo e na cara nem a visão debilitada. "As cicatrizes internas são ainda piores. Posso conseguir recuperar fisicamente, mas psicologicamente não sei quando vou sarar", diz este libanês sem esperança no futuro do seu país e, como tal, deverá emigrar para o Canadá. "Ainda ninguém foi preso, ninguém se demitiu, ninguém está na prisão... A verdade ainda não é conhecida", critica.

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