Talibãs atacam dois jornalistas de principal canal de notícias afegão

"Os talibãs espancaram-me enquanto eu estava a fazer reportagens em Cabul. Também nos levaram a câmara, equipamento técnico e o meu telemóvel", relatou o jornalista afegão Ziar Yaad na rede social Twitter.

Um repórter e um operador de câmara do principal canal de notícias afegão Tolo foram agredidos pelos talibãs quando trabalhavam em Cabul, apesar do movimento extremista ter prometido manter a liberdade de expressão após ter tomado o poder.

"Os talibãs espancaram-me enquanto eu estava a fazer reportagens em Cabul. Também nos levaram a câmara, equipamento técnico e o meu telemóvel", indicou esta quinta-feira o jornalista afegão Ziar Yaad na rede social Twitter, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

Desmentindo informações sobre a sua morte publicadas por media locais após a divulgação do sucedido, o repórter explicou que os talibãs saíram de repente de um veículo blindado para lhe baterem "com uma arma".

A Tolo informou que Yaad e o seu operador de câmara Baes Majidi estavam a fazer uma reportagem sobre desempregados "quando os talibãs lhes bateram por razões pouco claras".

Yaad disse igualmente que os líderes talibãs foram informados do incidente, adiantando que "os autores ainda não foram detidos", o que considerou constituir "uma grave ameaça à liberdade de expressão".

O canal de notícias falou com Ahmadullah Wasiq, subchefe da comissão cultural dos talibãs, que disse estar a acompanhar o incidente, para determinar porque terá ocorrido.

"Não apenas este, também investigaremos e resolveremos qualquer problema no desempenho dos jornalistas", indicou Wasiq, citado pela EFE.

Os talibãs garantiram a independência e a liberdade dos meios de comunicação, bem como a proteção dos jornalistas, na sua primeira conferência de imprensa após a conquista do Afeganistão, com a tomada de Cabul a 15 de agosto.

No entanto, várias organizações internacionais alertaram nos últimos dias para a perseguição de jornalistas afegãos, temendo que seja o início de uma nova era negra de repressão da informação como a vivida durante o anterior regime talibã, de 1996 a 2001.

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