Quem era o aliado de Bin Laden morto pelos Estados Unidos?

Um drone norte-americano matou no fim de semana passado no Afeganistão Ayman al-Zawahiri, que ajudou Osama bin Laden a planear o 11 de setembro de 2001 e fortaleceu a Al-Qaeda nos anos seguintes.

Segundo o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, abater al-Zawahirie era essencial para assegurar que as terras afegãs controladas pelos talibãs nunca mais serviriam de base para planeamento de ataques contra o resto do mundo, como o que aconteceu em 2001 em Nova Iorque e em Washington.

Quem era Ayman al-Zawahiri?

Os norte-americanos que testemunharam o ataque do 11 de setembro podem não se recordar do seu nome, mas muitos conhecem a figura de um homem de óculos, ligeiramente sorridente, invariavelmente ao lado de Bin Laden em fotografias.

Al-Zawahiri nasceu no Egito a 19 de junho de 1951, numa família economicamente confortável, num subúrbio do Cairo. Observador religioso desde criança, associou-se ao ramo violento de um renascimento islâmico sunita que procurava substituir os governos do Egito e de outras nações árabes.

Trabalhou como cirurgião ocular depois de atingir a maioridade, mas também percorreu a Ásia Central e o Médio Oriente, onde pôde testemunhar a guerra dos afegãos contra os ocupantes soviéticos. Foi nesta altura em que conheceu o jovem saudita Osama bin Laden e outros militares árabes que se reuniam para ajudar o Afeganistão a expulsar a URSS.

Fez parte das centenas de militantes capturados e torturados na prisão egípcia depois dos fundamentalistas islâmicos terem assassinado o presidente Anwar Sadat em 1981 -- uma experiência que, segundo os biógrafos, o radicalizou ainda mais.

Sete anos mais tarde, al-Zawahiri estava presente quando Bin Laden fundou a Al-Qaida, que ele próprio aperfeiçoou na clandestinidade e organizou células de seguidores para atacar em todo o mundo.

Porque é que al-Zawahiriera importante?

Depois de anos de montagem silenciosa de atentados suicidas, fundos e planos para o ataque do 11 de setembro, Zawahri e outros tenentes asseguraram que a Al-Qaeda sobrevivesse à caça ao homem a nível mundial que se seguiu.

Em fuga desde 2001, o egípcio reconstruiu a liderança da organização na região fronteiriça afegã-Paquistão e foi designado líder supremo sobre ramificações no Iraque, Ásia, Iémen e mais além.

Depois do grande ataque suicida contra os EUA, a Al-Qaeda levou a cabo anos de agressões implacáveis, em Bali, Mombaça, Riade, Jacarta, Istambul, Madrid, Londres, entre outros.

Como é que foi morto?

Por volta do amanhecer de 31 de julho, al-Zawahirisaiu para a varanda de uma casa em Cabul, no Afeganistão - um ato quotidiano do egípcio que os serviços secretos norte-americanos foram observando -, e dois mísseis Helfire foram disparados, via drone, contra o líder da Al-Qaeda, explicaram as autoridades norte-americanas.

A sua presença no Afeganistão era amplamente suspeita há já algum tempo, afirmaram os analistas, e as autoridades norte-americanas tinham conhecimento de que a mulher de Zawahiri e outros familiares se tinham mudado recentemente para Cabul.

Os EUA passaram meses a confirmar se o líder se encontrava na mesma localidade e a observar os seus passos, como a fatídica prática de ir sozinho para a varanda.

O que é que esta morte significa para a Al-Qaida?

Tudo dependerá do líder que suceder a al-Zawahiri, cujas opções são cada vez menores ao longo dos ataques norte-americanos que a Al-Qaida tem vindo a sofrer.

O perito sobre a Al-Qaeda, Ali Soufan, aponta outro egípcio, Saif al-Adl, como um dos candidatos a ser temido pelo Ocidente, dado o seu estatuto venerado dentro da organização, pela sua experiência e carisma em atrair de volta desertores.

Porém, não há dúvidas de que a Al-Qaeda enfrenta agora uma crise de sucessão e um futuro instável, incluindo ainda rivalidades contra outros grupos extremistas que surgiram depois do 11 de setembro e estão presentes também no Afeganistão.

De acordo com o especialista em redes de extremistas violentos Charles Lister, a natureza e propagação dos conflitos em torno do Médio Oriente, África e Ásia do Sul favorecem hoje organizações jihadistas locais em vez de organizações mais globais, como a Al-Qaeda.

Os talibãs sabiam que al-Zawahiri estava no Afeganistão?

De acordo com as autoridades norte-americanas, sim. A sua presença no Afeganistão tinha sido amplamente divulgada durante algum tempo, afirmou um especialista da Ásia Central do Instituto da Paz nos EUA, Asfandyar Mir.

Para além disso, a casa onde al-Zawahiri vivia com a família era propriedade de um alto assessor do líder talibã Sirajuddin Haqqani, disse um oficial dos serviços norte-americanos.

Há a possibilidade de um dos talibãs tenha vendido a localização do líder egípcio e da sua família aos EUA ou a outros interessados estrangeiros.

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