Primeiro-ministro iraquiano escapa a ataque de drone com explosivos

Mustafa al-Kazemi revelou através da sua conta no Twitter que está bem de saúde, após a tentativa de assassinato de que foi alvo.

O primeiro-ministro iraquiano, Mustafa al-Kazemi, escapou ileso de um ataque com um drone com uma bomba à sua residência no centro de Bagdade.

Houve "uma tentativa falhada de assassinato do primeiro-ministro, o Comandante-em-Chefe das Forças Armadas, por um drone com explosivos, lançado na sua residência na Zona Verde em Bagdade", explicou a Célula de Informação de Segurança, citado pela agência noticiosa oficial iraquiana, INA. Al-Kazemi "não foi ferido e está de boa saúde", acrescentou.

O próprio primeiro-ministro confirmou na sua conta do Twitter que está bem e apelou à população para permanecer calma face à tentativa de assassinato. "Estou bem, louvo a Deus, entre o meu povo, e peço calma e moderação a todos, para o bem do Iraque", escreveu.

Os Estados Unidos já reagiram ao ataque, através do porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price: "Estamos aliviados por saber que o primeiro-ministro não está ferido. Este aparente ato de terrorismo, que condenamos veementemente, visava o coração do Estado iraquiano", frisou, numa declaração.

Os Estados Unidos, garantiu, já ofereceram ajuda na investigação deste ataque e estão em "estreito contacto com as forças de segurança iraquianas encarregadas de defender a soberania e independência do Iraque".

A Zona Verde, onde a residência do primeiro-ministro foi atacada hoje de madrugada, é uma área fortificada no centro de Bagdade, que também contém uma série de edifícios governamentais e embaixadas estrangeiras.

Este ataque surge num momento de tensão no Iraque, após violentos confrontos entre manifestantes e polícias durante uma manifestação na passada sexta-feira em Bagdade, em frente da própria Zona Verde, contra os resultados das eleições legislativas de 10 de outubro.

Os confrontos deixaram duas pessoas mortas e mais de uma centena feridas, muitas delas polícias.

Vários partidos iraquianos consideram os resultados eleitorais oficiais fraudulentos, especialmente os que representam as milícias que compõem a Multidão Popular, na sua maioria xiitas e pró-iranianos, pois sofreram uma grande perda de votos em comparação com as eleições de 2018.

Os seus apoiantes mantêm um campo de protesto em frente à Zona Verde há quase duas semanas.

Além disso, a área tem sido alvo de uma série de ataques com foguetes nos últimos dois anos, visando principalmente a embaixada dos EUA, na sequência do assassinato do poderoso comandante iraniano Qasem Soleimaní, em janeiro de 2020, num bombardeamento com um alvo específico em Bagdade.

Irão classifica ataque como "ato de sedição"

O Irão descreveu o ataque à residência do primeiro-ministro iraquiano como um "ato de sedição" e culpou os "grupos de reflexão estrangeiros" pelo ataque, devido às suas políticas no Iraque.

"A tentativa contra al-Kazemi é um novo ato de sedição cuja origem deve ser atribuída a grupos de reflexão estrangeiros, que apenas trouxeram insegurança, clivagens e instabilidade ao povo oprimido iraniano", disse no Twitter o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Shamkhani.

Acrescentou que estes think tanks são responsáveis pela "criação e apoio de grupos terroristas e pela ocupação deste país durante anos", numa referência aos EUA.

O Irão tem grande influência política no Iraque ao apoiar importantes milícias xiitas iraquianas, algo criticado por certos setores em Bagdade e temido pelos EUA.

Tem também grande peso económico, uma vez que fornece eletricidade e gás ao país vizinho, apesar de estar sob sanções dos EUA desde 2018.

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