Polónia responsabiliza Putin pela crise migratória na fronteira com a Bielorrússia

Para os responsáveis polacos, a crise migratória está a ser executada pelo presidente bielorrusso Lukashenko mas sob ordens de Vladimir Putin.

O primeiro-ministro polaco, Mateusz Morawiecki, acusou esta terça-feira (9 de novembro) o presidente russo Vladimir Putin de ser o responsável pelo movimento das pessoas que tentam entrar ilegalmente na União Europeia (UE), através da Bielorrússia.

O presidente bielorrusso Alexander "Lukashenko é o executor deste ataque, mas a organização parte de Moscovo, com total responsabilidade para o presidente Putin", disse Morawiecki, no Parlamento do seu país.

A afirmação chega numa altura em que existe um escalar da tensão entre Varsóvia e Minsk, após a troca de acusações entre os dois lados da fronteira onde milhares de pessoas esperam conseguir entrar na UE.

Segundo a Polónia, a crise migratória representa uma ameaça à segurança da União Europeia. Em oposição encontra-se o governo bielorrusso, que afirma que tem existido uma "clara provocação" do lado polaco da fronteira. Soldados de ambos os países já foram mobilizados para o local.

A UE acusa Lukashenko de organizar esta crise como forma de represália perante as sanções aplicadas pela União, algo refutado pelo próprio.

As posições são antagónicas neste momento. Do lado polaco, afirma-se que "fechar a fronteira polaca é não só do interesse nacional mas também do interesse de toda a União Europeia". O presidente polaco - Andrzej Duda - acusou mesma a Bielorrússia de organizar um "ataque à fronteira polaca e por isso à fronteira da União Europeia, sem precedentes".

Lukashenko, assegurou, em resposta, que o seu país "não se vai pôr de joelhos" na crise que o opõe à União Europeia.

"Não estamos à procura de uma luta", disse Lukashenko numa entrevista da qual foram divulgados alguns excertos pela agência pública Belta.

"Não sou louco, compreendo perfeitamente onde tudo isto pode levar (...) Sabemos bem qual é o nosso lugar, mas também não vamos pôr-nos de joelhos", acrescentou.

A Rússia já garantiu que está a "observar de perto" o confronto migratório mas ainda não reagiu às acusações do primeiro-ministro polaco.

Milhares de migrantes encontram-se amontoados sob temperaturas glaciais na fronteira entre a Polónia e a Bielorrússia, às portas da UE, estando o seu destino no centro das tensões com Minsk.

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