Paulo Rangel para Von der Leyen: "O que vai dizer ao senhor Macron?"

O social democrata questionou Von der Leyen e criticou António Costa, dizendo que "foi incapaz de convencer" o presidente francês sobre a importância das interligações.

O eurodeputado Paulo Rangel (PSD) dirigiu-se esta quarta-feira num tom crítico à presidente da Comissão Europeia e questionou Ursula von der Leyen sobre se pretende "ser cúmplice" da França, "recusando as interconexões" da rede energética europeia à Península Ibérica. "Um erro", classificou o eurodeputado.

Rangel começou por referir que "no discurso, [Von der Leyen] várias vezes se referiu aos erros" da União Europeia "para estarmos na dependência energética da Rússia" e de "como houve Estados-Membros e a própria União que não ouviram os governos e as populações de outros Estados".

A chefe do executivo comunitário tinha reconhecido que "uma lição a retirar desta guerra é que devíamos ter dado ouvidos a quem conhece Putin", nomeando "Anna Politkovskaya e todos os jornalistas russos que expuseram os crimes e, por isso, pagaram o preço mais alto".

"Aos nossos amigos na Ucrânia, na Moldávia e na Geórgia e à oposição na Bielorrússia. Devíamos ter dado ouvidos às vozes que se levantaram no interior da nossa União - na Polónia, nos países bálticos e por toda a Europa Central e Oriental", exemplificou, lembrando que "há anos que nos diziam que Putin não pararia".

Perante a avaliação que fizeram, diz Von der Leyen "agiram em conformidade (...) e trabalharam arduamente para acabar com a sua dependência da Rússia".

Os exemplos destacados pela presidente como indispensáveis para reduzir a dependência energética, nomeadamente dos países do Báltico, passam pelo "investimento em energias renováveis, em terminais de GNL", e em particular "em interconexões".

Por sua vez, Paulo Rangel aproveitou a deixa do discurso para confrontar a presidente da Comissão sobre a forma como vai lidar com a posição assumida pelo presidente francês.

"Pois, neste momento, a propósito das interconexões entre a Península Ibérica e a França, o presidente Macron recusa essas interconexões. Será que a Comissão Europeia vai ser cúmplice?", questionou Rangel, aproveitando para criticar António Costa.

"O primeiro ministro, António Costa, que em tudo segue o presidente Macron, foi incapaz de o convencer a isto. Pergunto se a União Europeia vai deixar que a França cometa erros que a Alemanha cometeu, quando fez o NordStream 2? Vamos repetir o mesmo erro?", insistiu o social democrata, classificando a opção pelos corredores energéticos nos Pirinéus como "uma solução excelente", idêntica à que já foi adotada "na Grécia, na Itália".

"Mas também temos na Península Ibérica para fornecer os mercados europeus", vincou, lamentando que perante a crise atual a União Europeia seja "deixada na dependência energética".

"Esta é a pergunta que deixo à Comissão Europeia: que vai dizer ao senhor Macron?", questionou Rangel, dirigindo-se a Von der Leyen.

A chefe do executivo comunitário tinha reconhecido que as opções por "todas esta tecnologias são muito dispendiosas", notando, porém, que "a dependência dos combustíveis fósseis russos tem um preço muito mais elevado".

"Temos de livrar a Europa desta dependência", vincou a presidente da Comissão Europeia durante um discurso em que procurou transmitir uma mensagem de confiança, deixando também um apelo à determinação perante o que classificou como "uma guerra sobre a nossa energia, uma guerra sobre a nossa economia, uma guerra contra os nossos valores", travada por Vladimir Putin que é "uma guerra sobre o nosso futuro, sobre a autocracia contra a democracia".

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