Paris sugere proibição do espaço aéreo da Bielorússia. Dublin denuncia ato de "pirataria"

"Estou a pensar numa medida que deve ser discutida a nível europeu e internacional, a proibição do espaço aéreo bielorrusso, que é uma medida de sanção", disse o secretário de Estado francês dos Assuntos Europeus

França sugeriu esta segunda-feira uma "proibição do espaço aéreo" da Bielorrússia após o sequestro, por este país, de um avião da Ryanair com um oponente bielorrusso a bordo e que foi preso após a aterragem em Minsk.

Os chefes de Estado e de governo da UE devem analisar esta segunda-feira a possibilidade de novas sanções contra o regime autoritário de Minsk como reação ao desvio do avião da Ryanair em que seguia o jornalista crítico do regime bielorrusso Roman Protassevich.

Cerca de uma centena de autoridades bielorrussas, incluindo o presidente Alexander Lukashenko, já estão sob sanções europeias por causa de violações dos direitos humanos nesta ex-república soviética.

"Poderia haver outras medidas (...) Estou a pensar numa medida que deve ser discutida a nível europeu e internacional, a proibição do espaço aéreo bielorrusso, que é uma medida de sanção", disse o secretário de Estado francês dos Assuntos Europeus, Clément Beaune, em declarações transmitidas pela rádio RMC.

"Quero que olhemos para isto o mais rápido possível e acho que essa seria uma das medidas razoáveis para nos proteger", acrescentou.

"Colocamos em perigo a vida de cidadãos europeus, para além da deste oponente ao regime", acrescentou, lembrando que o avião ligava duas capitais europeias, Atenas e Vilnius, e transportou muitos cidadãos europeus, incluindo nove franceses.

"Também gera menos receita para o regime bielorrusso porque qualquer sobrevoo de um espaço aéreo faz parte das taxas aéreas" que o país em questão recebe, observou.

"É uma pirataria de Estado que não pode ficar impune", insistiu.

A Organização de Aviação Civil Internacional, órgão vinculado à ONU, já veio dizer que a aterragem forçada "pode ser uma violação da Convenção de Chicago", que protege a soberania do espaço aéreo das nações.

Por seu lado, os média estatais bielorrussos defendeu a interceção do avião da Ryanair, considerando a reação normal devido a uma "ameaça de bomba" a bordo, e retrataram o jornalista preso como um "extremista".

Dublin denuncia ato de "pirataria" estatal no desvio do avião

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Irlanda classificou esta segunda-feira como um ato de pirataria de Estado o desvio de um avião da companhia aérea irlandesa Ryanair, que foi forçado a aterrar em Minsk pelas autoridades bielorrussas.

"Foi realmente pirataria aérea, sancionada pelo Estado", disse Simon Coveney à emissora pública irlandesa RTE.

"Não podemos permitir que um incidente como este aconteça e devemos emitir avisos ou fortes comunicados de imprensa" como resposta, acrescentou Coveney, apelando às "sanções" ao país do Leste europeu.

A companhia aérea irlandesa Ryanair disse hoje que a tripulação do avião em que viajava um jornalista crítico do regime bielorrusso recebeu um aviso de ameaça à segurança a bordo antes de o aparelho ser desviado para Minsk.

Em comunicado, a Ryanair disse que o controlo de tráfego aéreo bielorrusso comunicou uma suposta ameaça à tripulação, dando também "instruções para desviar para o aeroporto mais próximo, Minsk".

A empresa de voos 'low-cost' acrescentou que nada foi encontrado após o avião aterrar em Minsk.

As autoridades bielorrussas detiveram o jornalista Roman Protasevich no domingo, depois de o Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, ter ordenado que o voo da companhia aérea Ryanair de Atenas para Vilnius, capital da Lituânia, fosse desviado para o aeroporto de Minsk.

Roman Protasevich, de 26 anos, é o ex-editor-chefe do influente canal Nexta, que se tornou na principal fonte de informação nas primeiras semanas de protestos antigovernamentais após as eleições presidenciais de agosto de 2020.

Em novembro, os serviços de segurança bielorrussos (KGB), herdados do período soviético, registaram o seu nome e o do fundador do Nexta, Stepan Putilo, na lista de "indivíduos envolvidos em atividades terroristas".

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