Os 27 deverão seguir recomendação para passo "decisivo" da Ucrânia rumo à UE

Chefes de Estado ou de governo deverão adoptar recomendação de Bruxelas sobre Ucrânia, Moldávia e Geórgia

Os líderes europeus reúnem-se, a partir desta quinta-feira, em Bruxelas, tendo como principal tópico na agenda o debate sobre a opinião da Comissão Europeia a a propósito das candidaturas à adesão à União Europeia da Moldávia, da Geórgia e da Ucrânia.

Espera-se que os chefes de Estado ou de Governo enviem "uma mensagem inequívoca" de reconhecimento das aspirações europeias dos três países, e atribuam o estatuto de país candidato à Moldávia e à Ucrânia.

Os 27 deverão ainda concordar com a atribuição do estatuto de candidato à Geórgia, assim que estiverem cumpridas as condições que constam do relatório da comissão europeia, como por exemplo o reforço das estruturas anti-corrupção.

Na carta convite que dirigiu aos líderes europeus, no arranque da semana, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel disse esperar um resultado "decisivo" para os três países candidatos à entrada no bloco europeu.

"Creio que é altura de reconhecer a perspetiva europeia da Ucrânia, Moldova e Geórgia. O futuro destes países e dos seus povos está dentro da União Europeia", considerou Charles Michel, afirmando que "mais especificamente, a minha intenção é que decidamos conceder o estatuto de candidato à Ucrânia e à Moldova".

De acordo com fontes europeias ouvidas pela TSF, "há um claro consenso" e a opinião da Comissão Europeia deverá ser adotada "sem hesitações".

Balcãs Ocidentais

Antes do arranque dos trabalhos, os líderes europeus vão ainda reunir-se com os países dos Balcãs ocidentais, com o objetivo de dar um novo impulso ao processo de alargamento aos Balcãs e a reforçar a integração, de acordo com o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

Os processos de adesão dos vários candidatos arrasta-se há mais de uma década. No caso da antiga República jugoslava da Macedónia e atual República da Macedónia do Norte, o pedido de adesão à União Europeia deu entrada em março de 2004. O estatuto de país candidato chegou mais de ano e meio depois, em dezembro de 2005.

A partir desse momento, a Comissão deveria ter recebido luz verde para abrir as negociações de adesão, Mas, um atrito com a Grécia, principalmente por causa do nome do país, igual ao da região grega da Macedónia, bloqueou o processo.

A situação resolveu-se com o «Acordo de Prespa» que culminou, em 2019, com a alteração oficial para República da Macedónia do Norte. Mas, até gora, as negociações não foram abertas, devido a questões relativas ao uso da língua, de identidade e história, desta vez, levantadas pela Bulgária.

A Albânia candidatou-se à adesão em abril de 2009. Em 2012, a Comissão recomendou a concessão à Albânia do estatuto de país candidato, condicionado a reformas. O país recebeu o estatuto em 2014. Mas, as negociações nunca foram abertas.

O Montenegro candidatou-se à adesão à União Europeia, em dezembro de 2008, dois anos após a declaração de independência do país. Conseguiu o estatuto de país candidato em 2010 e viu as negociações serem abertas em 2012. As negociações já chegaram ao último dos tópicos: a política de concorrência. Mas, Bruxelas entende que apontar a adesão à União Europeia até 2025, seria uma meta "extremamente ambiciosa".

No caso da Sérvia, depois da candidatura em 2019, e do reconhecimento do "estatuto de país candidato" em 2012, as negociações foram abertas em 2014. Desde 2019 que não há abertura de novos capítulos e encontram-se paradas.

Carta

O secretário-geral da União Internacional de Juventudes Socialistas, Bruno Gonçalves enviou uma carta aos líderes das principais instituições da União Europeia, em que apela a que sejam dados "passos concretos", rumo à adesão, nomeadamente de países como "a Macedónia do Norte e a Albânia.

A carta conta com "mais de 1200 assinaturas" recolhidas "em menos de três dias", entre jovens dos países dos Balcãs Ocidentais que "aguardam há anos", com "expectativa", apesar "do período de espera", afirmou.

"Do nosso ponto de vista, há um conjunto de reformas que já foram feitas neste momento, sobretudo pela Albânia, pela Macedónia do norte (...) já fizeram esforços", salientou Bruno Gonçalves considera que, deveriam ser iniciadas negociações para adesão.

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