Opositora cubana Berta Soler detida em Havana

A dissidência cubana é ilegal e os seus ativistas são considerados pelo governo "mercenários" a serviço dos Estados Unidos.

A líder do movimento opositor cubano Damas de Blanco, Berta Soler, foi detida esta quinta-feira em Havana junto com o seu marido, o ex-prisioneiro político Ángel Moya, confirmou à AFP uma ativista dissidente.

"Eles foram presos por volta das 10h00. Iam ao Ministério Público apresentar um documento sobre José Daniel Ferrer", outro líder opositor, disse à AFP Martha Beatriz Roque.

Soler e Moya iam apresentar ao MP uma petição de prova de vida sobre Ferrer, de 51 anos e líder da União Patriótica de Cuba (UNPACU), a organização mais ativa da oposição.

A dissidência cubana é ilegal e os seus ativistas são considerados pelo governo "mercenários" a serviço dos Estados Unidos.

Ferrer foi preso a 11 de julho em Santiago de Cuba, durante as históricas manifestações antigovernamentais que tiveram lugar em 50 cidades cubanas.

Na sequência dessa prisão, um tribunal revogou a liberdade condicional que ele cumpria desde fevereiro de 2021, após ter sido condenado a quatro anos e seis meses de prisão, acusado de crime de ofensas corporais contra outro opositor.

Ferrer e Moya estão entre os 75 presos políticos da Primavera Negra de 2003, condenados a longas penas de prisão e libertados em 2011 junto com 130 outros presos políticos após uma negociação entre o governo e a Igreja Católica.

A maioria desses prisioneiros emigrou para a Espanha com as suas famílias, mas 12 deles, Ferrer e Moya entre eles, decidiram ficar no país.

As mães, mulheres e filhas desses prisioneiros formaram as Damas de Blanco, um movimento que exige a liberdade de outros prisioneiros políticos.

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