Naftali Bennett não será candidato nas eleições antecipadas israelitas

Primeiro-ministro no último ano, passa a chefia do governo ao até agora chefe da diplomacia, Yair Lapid.

O primeiro-ministro israelita, Naftali Bennett, anunciou que não vai ser candidato às próximas eleições, mas deixou claro que continuará a servir o país, que apelidou de "o amor da minha vida". O anúncio foi feito horas antes da esperada dissolução do Parlamento, que levará à convocação de novas legislativas em finais de outubro ou inícios de novembro - as quintas em menos de quatro anos em Israel. Ao abrigo do acordo de coligação, a chefia do governo será assumida de forma interina até à formação do próximo Executivo pelo até agora chefe da diplomacia, Yair Lapid.

Num discurso de despedida no Knesset, Bennet defendeu um governo alargado que possa representar todos os israelitas. "Só juntos vamos vencer. Vamos respeitar-nos uns aos outros em vez de nos odiarmos", acrescentou, dizendo que a sua coligação "fez mais do que outros governos num mandato completo". Bennett indicou que a atual ministra do Interior e número dois do partido, Ayelet Shaked, irá assumir a liderança do Yamina quando ele se demitir.

Bennett e Lapid, do partido centrista Yesh Atid, chegaram em junho de 2021 a um acordo para a formação de um governo de coligação de oito partidos, que incluiu, pela primeira vez, uma formação árabe, com o objetivo de afastar Benjamin Netanyahu, que estava há 12 anos consecutivos do poder. Mas um ano depois, a coligação perdeu a maioria e tornou-se necessário voltar a convocar eleições.

O acordo de coligação previa uma divisão de poder entre Bennett e Lapid, que deveria assumir a chefia do governo na segunda metade do mandato ou de forma imediata em caso de dissolução do Parlamento (até à formação de um novo Executivo). "Meu irmão Naftali, obrigado, em meu nome e no nome de todo o povo de Israel", escreveu Lapid ontem no Twitter.

As eleições antecipadas representam uma nova oportunidade para Netanyahu, que continua a ser julgado por acusações de corrupção (que nega). Mas o seu Likud, de direita, poderá voltar a ter problemas para conseguir uma maioria, mesmo com o apoio dos ultranacionalistas e dos partidos ultraortodoxos. Uma sondagem do canal de notícias N12, feita já depois do anúncio de Bennett, dava ao Likud 34 dos 120 lugares do Knesset - uma melhoria em relação aos 29 que detém. O Yesh Atid de Lapid deverá conseguir 20, mais três do que os atuais 17. O Yamina, que tinha eleito sete deputados nas últimas eleições, mas agora já só tinha quatro, poderá eleger cinco.

O Partido Sionista Religioso surge nesta sondagem também com nove deputados (tinha seis), enquanto o Shas elegeria oito (tinha nove). O Judaísmo Unido da Torá conseguiria os mesmos sete lugares que tem agora, enquanto a Lista Conjunta manteria os seis. O Partido Trabalhista e o Yisrael Beytenu ganhariam cada um cinco - ambos tinham agora sete. O partido árabe Ra"am, o Meretz e o Nova Esperança teriam quatro deputados cada, uma perda de dois no caso dos dois últimos partidos.

Feitas as contas, o bloco de apoio a Netanyahu teria 58 lugares sem o Yamina (que no passado o apoiou) e 63 com o seu apoio. Já o bloco contra Netanyahu, sem a Lista Conjunta, teria 56 deputados, com o Yamina, e 51 sem este partido.

susana.f.salvador@dn.pt

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