Moscovo instiu para ONU a agir para desbloquear exportações e cereais russos

Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, Ucrânia recusou incluir a questão dos cereais russos nas negociações.

O chefe da diplomacia russa disse esta quarta-feira que insistiu junto da ONU para que alcance um acordo que facilite as exportações agrícolas da Rússia, afetadas pelas sanções ocidentais, em troca da passagem dos cereais ucranianos bloqueados devido à guerra.

"Enviámos ontem [terça-feira] um sinal ao secretário-geral (da ONU) dizendo, aqui está, esta é a vossa iniciativa, vamos tomar uma decisão sobre os ucranianos, depois sobre os russos", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, numa entrevista à agência russa Ria Novosti, citada esta quarta-feira pelas agências internacionais.

Segundo Lavrov, a Ucrânia recusou incluir a questão dos cereais russos nas negociações que tiveram lugar na semana passada em Istambul, sob a mediação da ONU e da Turquia.

"Acordámos os princípios básicos para a exportação dos cereais ucranianos, mas quando a nossa delegação pediu para acrescentar uma segunda parte (relativa às exportações agrícolas russas), os ucranianos recusaram categoricamente. A delegação da ONU permaneceu vergonhosamente silenciosa", denunciou Lavrov.

Estados Unidos e União Europeia têm insistido que produção agrícola, de fertilizantes, equipamentos para agricultura ou medicamentos não estão incluídos em nenhum dos pacotes de sanções aprovados na sequência da invasão russa da Ucrânia, em 24 de fevereiro, e, pelo contrário, atribuem à Rússia ações diretas para impedir a exportação de cereais ucranianos, através do Mar Negro.

Na terça-feira, durante uma visita a Teerão, o Presidente russo, Vladimir Putin, exigiu que as restrições ocidentais aplicadas aos cereais russos fossem levantadas para permitir um acordo sobre as exportações ucranianas.

Grande parte da produção agrícola da Ucrânia está bloqueada nos portos do país desde o início da ofensiva russa, em fevereiro passado, por causa dos combates, situação que ameaça criar uma grave crise alimentar global.

Números avançados pelos 'media' internacionais apontam que mais de 20 milhões de toneladas de grãos e sementes de girassol estão bloqueados nos portos ucranianos do Mar Negro.

Em conjunto, segundo a revista britânica The Economist, a Ucrânia e a Rússia fornecem 28% do trigo consumido no mundo, 29% da cevada, 15% do milho e 75% do óleo de girassol.

As exportações de cereais e de fertilizantes russos têm sido afetadas pelas sanções impostas pelo Ocidente sobre as cadeias logísticas e financeiras russas.

Numa entrevista à Lusa, em junho passado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para as consequências caso não existam fertilizantes disponíveis no mercado para ajudar a adubar as produções alimentares em todo o mundo.

Para o próximo ano "poderemos ter um grave problema de escassez de alimentos", advertiu na ocasião.

A Rússia é um exportador chave de fertilizantes. Em 2021, o país foi o principal exportador mundial de fertilizantes nitrogenados e o segundo fornecedor de fertilizantes potássicos e fosforados.

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