Milhares gritam "liberdade" contra restrições da pandemia

Em Bruxelas, Praga, Viena e em várias cidades alemãs manifestantes mostraram-se contra medidas dos governos ou contra as vacinas. Na Alemanha também houve contramanifestações.

Milhares de manifestantes marcharam em Bruxelas para se oporem às normas de combate ao coronavírus. Não houve repetição da violência que marcou as manifestações anteriores e maiores na capital belga, embora a polícia tenha intervindo para cercar um pequeno grupo que se aproximou da sede da União Europeia.

Enquanto marchava pela cidade, a multidão - 5000 pessoas de acordo com a polícia - cantava "liberdade, liberdade!" e brandia faixas denunciando aquilo a que chamavam uma "ditadura de vacinas".

Antes do início da marcha, a polícia deteve 11 pessoas por transportarem fogo-de-artifício. Mais 30 detenções foram feitas no final, após um pequeno grupo ter atirado "projéteis" aos polícias.

A Bélgica exige que os residentes apresentem o certificado digital para entrar em bares, restaurantes e eventos culturais, e tem havido vários protestos recentes de rua.

No domingo, o ministro da saúde Frank Vandenbroucke pediu, numa entrevista televisiva, um debate parlamentar sobre regras mais apertadas à medida que a Bélgica vê os casos de covid disparar com a disseminação da variante Ómicron.

"A opinião das pessoas está a mudar. Há um ano, eu dizia: a vacinação obrigatória não é uma boa ideia, precisamos de convencer as pessoas. Agora, sabendo que precisamos realmente de vacinar 100% da população - o que não era a nossa ideia há um ano, pensávamos que 70% era suficiente - ainda precisamos de alguma aceitação".

Mas esse apoio não viria dos manifestantes, com bandeiras de um conjunto diversificado de grupos políticos, mas unidos em oposição às medidas obrigatórias.

"É uma gestão de crise completamente absurda que afeta enormemente as liberdades e que levará a um sistema de estilo chinês se deixarmos que isso aconteça", disse uma manifestante à AFP.

As manifestações anteriores degeneraram em batalhas com a polícia, que nas últimas semanas utilizaram gás lacrimogéneo e canhões de água, mas as de domingo terminaram de forma relativamente ordenada. A polícia de choque ergueu barricadas de arame farpado através das estradas que conduzem aos edifícios da sede da União Europeia e colocou drones e dois camiões com canhões de água.

Em Praga, noutra língua, mas a mesma palavra, liberdade, foi gritada pelos manifestantes. Aqui, os ativistas moveram-se contra a proposta de obrigatoriedade da vacinação para maiores de 60 anos e detentores de determinadas profissões, caso do pessoal médico, polícias e bombeiros.

A medida tinha sido delineada pelo anterior governo. O atual, resultante de uma coligação de cinco partidos liderado por Petr Fiala, está inclinado a não obrigar os mais velhos a imunizarem-se, mas quererá manter a obrigatoriedade da vacina para grupos profissionais.

Na capital austríaca, Viena, o protesto realizou-se no sábado e reuniu cerca de 40 mil pessoas. A multidão protestou contra os planos de tornar obrigatória a vacina contra a covid a partir de fevereiro. A Áustria voltou a fazer um confinamento em novembro e conseguiu estancar o número de infeções, mas os novos casos multiplicaram-se desde então, incluindo o novo chanceler, Karl Nehammer, de 49 anos, que anunciou ter testado positivo na sexta-feira.

Na Alemanha, contaram-se protestos e contramanifestações em várias cidades como Hamburgo ou Frankfurt. Na cidade portuária milhares de pessoas juntaram-se para contestar a vacinação obrigatória em pessoal dos serviços de saúde e funcionários de lares.

Em Dresden, milhares de pessoas saíram à rua para se mostrarem contra as manifestações cada vez mais violentas dos grupos antivacinas.

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