Líderes políticos mundiais reagem à invasão do Capitólio

O mundo assistiu com preocupação e estupefação à invasão do Capitólio dos EUA por manifestantes pró-Trump, na quarta-feira.

Eis as reações de vários líderes de países e de organizações:

Reino Unido

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, condenou as "cenas vergonhosas" passadas no Capitólio e pediu uma transição "pacífica e ordeira" do poder para o pesidente eleito, Joe Biden.

"Nada pode justificar essas violentas tentativas de fazer fracassar a transição legal de poder", disse, também, o secretário de Negócios Estrangeiros, Dominic Raab.

União Europeia

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, usou a rede social Twitter para dizer que "Joe Biden ganhou as eleições (nos EUA)" e que está "ansiosa por trabalhar com ele como o próximo presidente dos Estados Unidos".

"Acredito na força das instituições americanas e da democracia. Uma transição pacífica está no centro disso", escreveu Von der Leyen no Twitter.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, denunciou um "ataque sem precedentes à democracia americana" e pediu respeito pelo resultado da eleição presidencial.

"Assistir às cenas desta noite em Washington é um choque. Contamos com os Estados Unidos para permitir uma transferência pacífica do poder para Joe Biden", declarou por sua vez o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

O presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, manifestou apoio e solidariedade à sua homóloga na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, e mostra-se "profundamente perturbado" por testemunhar as cenas de violência provenientes de Washington.

ONU

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que ficou "triste" com a intrusão no Capitólio, segundo seu porta-voz, Stephane Dujarric.

"Perante tais circunstâncias, é importante que os políticos façam os seus apoiantes entenderem a necessidade de evitar a violência e respeitar os processos democráticos e o Estado de Direito", disse o porta-voz de Guterres, num comunicado.

China

A China traçou um paralelo entre os acontecimentos em Washington e as manifestações pró-democracia em Hong Kong e disse que espera um "regresso à ordem" nos Estados Unidos.

Desta vez, "a reação de algumas pessoas nos Estados Unidos, incluindo alguns meios de comunicação, é completamente diferente", disse a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China Hua Chunying.

"Na altura, quando descreveram os manifestantes violentos em Hong Kong, que palavras usaram? (...) 'um belo espetáculo'", criticou a porta-voz ministerial chinesa.

Rússia

A porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, disse que o sistema eleitoral dos EUA está "obsoleto" e não dá resposta aos critérios democráticos, embora reconhecendo que a situação do Capitólio é um "assunto interno" de Washington.

O presidente da comissão de Negócios Estrangeiros do Senado russo, Konstantin Koastchev, disse que "o lado perdedor tem motivos mais do que suficientes para acusar os vencedores de falsificação", acrescentando que lhe parece "óbvio que a democracia americana está a mancar com os dois pés".

"A festa da democracia acabou. Infelizmente, atingiu o fundo do poço, e digo isso sem um pingo de júbilo. Os Estados Unidos perderam o rumo e, portanto, não tem mais o direito de definir o curso aos outros", acrescentou Konstantin Kosatchev, na sua conta da rede social Facebook.

Ucrânia

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, condenou "veementemente" os atos de violência no Capitólio.

"Estamos inspirados pela resiliência da maior e mais antiga instituição democrática do mundo, que poucas horas depois deste ataque realizou uma sessão histórica, afirmando a vontade do povo americano", disse Zelensky, que se viu involuntariamente envolvido no centro de um escândalo político nos Estados Unidos, por causa de um telefonema do presidente Trump.

Irão

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, disse que as democracias ocidentais são "frágeis e vulneráveis", alertando contra o aumento do "populismo", após os distúrbios no Capitólio.

"O que observámos nos Estados Unidos na noite passada e hoje mostrou, em primeiro lugar, como a democracia ocidental é vulnerável e frágil", disse Rouhani, num discurso televisivo.

França

"Não cederemos à violência dos poucos que querem questionar" a democracia, reagiu, numa mensagem em vídeo, o presidente francês, Emmanuel Macron.

"Quando, numa das democracias mais antigas do mundo, os partidários de um presidente cessante questionam, pela força das armas, os resultados legítimos de uma eleição, é uma ideia universal - a de um homem, de uma voz - que é derrotada", acrescentou o chefe de Estado francês.

Alemanha

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse estar "triste" e "zangada" com os acontecimentos em Washington.

"Lamento profundamente que o presidente Trump não tenha admitido a sua derrota em novembro", afirmou Merkel, observando que "as dúvidas sobre o resultado da eleição foram alimentadas e criaram o ambiente que tornou os acontecimentos possíveis" em Washington.

Com a certificação da vitória de Joe Biden, "prevaleceram as forças democráticas", defendeu a chanceler, para quem a entrada em funções do Presidente eleito e de Kamala Harris "abra um novo capítulo em menos de duas semanas".

Israel

"O saque do Capitólio foi um ato escandaloso e deve ser vigorosamente condenado", disse o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, antes de uma reunião em Jerusalém com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin.

"Não tenho dúvidas de que a democracia americana triunfará. Sempre triunfou", acrescentou Netanyahu.

Turquia

A Turquia apelou a todas as partes para usarem "moderação e bom senso".

"Acreditamos que os Estados Unidos vão ultrapassar esta crise política interna com maturidade", refere um comunicado divulgado pelo ministérios dos Negócios Estrangeiros turco.

Canadá

"Os canadianos estão profundamente preocupados. A violência nunca terá sucesso a tentar derrubar a vontade do povo", disse o primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, na sua conta de Twitter.

Austrália

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, lamentou as "cenas muito dolorosas no Congresso dos Estados Unidos".

"Condenamos esses atos de violência e esperamos uma transferência pacífica do Governo para o Presidente recém-eleito, na grande tradição democrática americana", escreveu Scott Morrison no Twitter.

NATO

O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, denunciou as "cenas chocantes" e pediu respeito pelo resultado da eleição presidencial vencida por Joe Biden.

Itália

"A violência é incompatível com o exercício dos direitos e das liberdades democráticas. Tenho confiança na força e na robustez das instituições dos Estados Unidos", escreveu o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, na sua conta de Twitter.

"É uma verdadeira vergonha para a democracia e um atentado às liberdades do povo americano", disse ainda o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Luigi di Maio.

Espanha

O chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, disse "acompanhar com preocupação as informações vindas do Capitólio em Washington".

"Tenho confiança na força da democracia americana. A nova presidência de Joe Biden vai superar esse momento de tensão, unindo o povo americano", concluiu Sánchez, na conta de Twitter.

Irlanda

O primeiro-ministro irlandês, Micheal Martin, lembrou "o vínculo profundo" do seu país com os Estados Unidos, dizendo que observou os acontecimentos em Washington com "muita preocupação e consternação".

"Cenas chocantes e profundamente tristes em Washington, que devem ser chamadas pelo nome: um ataque deliberado à democracia por um Presidente em exercício e pelos seus apoiantes", condenou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Irlanda, Simon Coveney.

Peru

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Peru pediu, num comunicado, que "todas as partes nos Estados Unidos sejam cautelosas".

"Acreditamos que os Estados Unidos sairão desta crise política interna com maturidade", acrescentou a diplomacia peruana.

Países Baixos

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, considerou as imagens de Washington "horríveis" e pediu a Donald Trump que "reconheça Joe Biden como o futuro presidente".

Noruega

"O que estamos a assistir agora em Washington é um ataque totalmente inaceitável à democracia nos Estados Unidos. O presidente Trump tem a responsabilidade de impedir isso. Imagens assustadoras, inacreditáveis", disse a primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg.

Polónia

O presidente polaco, Andrzej Duda, disse no Twitter que a violência no Capitólio é "um problema interno para os Estados Unidos".

"A Polónia acredita no poder da democracia americana", acrescentou este aliado próximo de Donald Trump, que esperou mais de um mês antes de dar os parabéns a Joe Biden pela sua eleição.

Hungria

"As imagens chocantes do Capitólio devem ser mantidas em mente antes, durante e depois das eleições em todo o mundo", escreveu no Twitter a ministra húngara da Família, Katalin Novak.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, foi um dos poucos líderes da União Europeia a apoiar Donald Trump nas eleições dos EUA.

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