Justiça russa restringe drasticamente atividade do Fundo de Navalny

O serviço de imprensa do tribunal de Moscovo já tinha indicado ter "interdito certas atividades" do FBK, sem precisar os detalhes, e com o caso a ser julgado à porta fechada.

A justiça russa impôs esta terça-feira severas restrições à atividade do Fundo de Luta Contra a Corrupção (FBK) do opositor detido Alexei Navalny, incluindo a proibição de publicar na internet, organizar manifestações ou participar em eleições.

O diretor do FBK, Ivan Jdanov, indicou nas redes sociais que um tribunal de Moscovo proibiu a organização de publicar conteúdos na internet, utilizar 'media' públicos, participar nas eleições ou utilizar contas bancárias.

Previamente, o serviço de imprensa do tribunal de Moscovo tinha indicado ter "interdito certas atividades" do FBK, sem precisar os detalhes, e com o caso a ser julgado à porta fechada.

Em paralelo, as organizações com ligações a Navalny são ameaçadas de serem declaradas "extremistas" na sequência de um pedido nesse sentido emitido em meados de abril pelo procurador, e que poderá implicar a sua proibição na Rússia e a condenação dos seus colaboradores a pesadas penas de prisão.

Na segunda-feira a justiça já tinha ordenado a suspensão das atividades do FBK e das delegações de Navalny através da Rússia. Estas estruturas anunciaram de imediato que terminariam as suas atividades na forma atual para proteger os seus colaboradores.

O FBK é conhecido pelos seus numerosos inquéritos que denunciam a corrupção nos círculos do poder na Rússia, e difundidos no YouTube. A publicação que obteve mais impacto, que acusava o Presidente Vladimir Putin de ter construído um sumptuoso palácio nas margens do Mar Negro, foi visionada 116 milhões de vezes.

As delegações de Navalny através do país têm publicado os seus próprios inquéritos e organizam campanhas pelo "voto inteligente" defendidas pelo opositor, destinadas a apelar à votação no candidato com mais hipóteses de derrotar quem é apoiado pelo Kremlin e independentemente da sua tendência política.

O político da oposição, 44 anos, anunciou na sexta-feira passada o fim de uma greve de fome de 243 dias em protesto pela recusa das autoridades prisionais em permitir a visita dos seus médicos após severas dores nas costas e dormência nas pernas. Os responsáveis do estabelecimento insistiram que estava a receber o tratamento adequado, mas Navalny negou.

Na quarta-feira, quatro peritos dos direitos humanos mandatados pela ONU indicaram que o detido estava em "grave perigo" e consideraram que devia ser enviado para o estrangeiro.

O principal opositor de Vladimir Putin, o Presidente russo, foi preso em janeiro ao regressar da Alemanha, onde esteve cinco meses em recuperação após um alegado envenenamento por um agente neurotóxico, atribuído ao Kremlin, acusações que as autoridades russas rejeitaram.

A prisão de Navalny desencadeou uma vaga de protestos em toda a Rússia, na maior demonstração de desafio ao Kremlin dos últimos anos.

Após a prisão, um tribunal condenou Navalny a dois anos e meio de prisão por um caso de corrupção ocorrido em 2014 e que os seus apoiantes denunciaram como politicamente motivado, enquanto o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considerou a sentença "arbitrária e manifestamente irracional".

Em março, o político foi transferido para uma colónia penal a leste de Moscovo, conhecida pelas suas duras condições de detenção.

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