Itália/Crise: Berlusconi diz que foi Draghi quem escolheu eleições antecipadas

O Presidente da República, Sergio Mattarela, anunciou na quinta-feira a sua decisão de dissolver o Parlamento, eleito em março de 2018, e encerrar a legislatura oito meses antes do previsto.

O líder do partido Força Itália, Silvio Berlusconi, considera que foi o primeiro-ministro demissionário, Mário Draghi, quem decidiu "o caminho das eleições" antecipadas ao não aceitar um novo Governo sem o Movimento 5 Estrelas (M5E).

"Foi pedido um pacto de governo, mas Draghi escolheu o caminho do voto", disse Berlusconi numa entrevista publicada esta sexta-feira no jornal de que é dono, Il Giornale, e na qual explica que foi instado a "refazer um pacto de Governo, sob a liderança de Draghi, numa base nova, coerente e solidária".

No entanto, acrescentou, "o primeiro-ministro escolheu outro caminho, aquele que leva às eleições. Por que é que ele fez isso, é uma pergunta que deve ser feita. Estávamos completamente dispostos a continuar a apoiá-lo e a pagar um preço por isso em termos de apoio".

"Não negámos confiança ao Governo. Não esperava que isto terminasse assim", reiterou Berlusconi.

A Itália vai realizar eleições legislativas antecipadas em 25 de setembro, na sequência da crise do Governo de unidade nacional de Mario Draghi, pressionado a renunciar devido ao abandono de três importantes parceiros da sua coligação: o M5S, a Liga e o Força Itália, que não aprovaram a moção de confiança ao Governo pedida pelo primeiro-ministro.

O Presidente da República, Sergio Mattarela, anunciou na quinta-feira a sua decisão de dissolver o Parlamento, eleito em março de 2018, e encerrar a legislatura oito meses antes do previsto.

Embora tenha admitido que "o momento é inoportuno", o líder do Força Itália lembrou que as eleições "não são uma blasfémia" e sublinhou que, numa democracia, dar a palavra ao povo soberano é sempre a melhor forma de ter legitimidade.

Berlusconi disse ainda acreditar no sucesso da aliança com os restantes partidos de extrema-direita, como o Irmãos da Itália, de Giorgia Meloni, e a Liga, de Matteo Salvini, e garantiu que "darão credibilidade e estabilidade" ao país.

Draghi continuará no cargo até à formação do novo Governo.

O chefe de Estado - que já aceitara com relutância um segundo mandato, em janeiro, devido ao clima de confronto político - pediu aos dirigentes políticos que pensem no país, na fase que se segue.

"Espero que, na intensa e por vezes aguda dialética da campanha eleitoral, todos deem uma contribuição construtiva no melhor interesse da Itália", pediu o Presidente, referindo-se ao período de campanha que antecede as eleições marcadas para 25 de setembro.

Draghi presidiu a uma coligação de unidade nacional, nos últimos 17 meses, desde fevereiro de 2021, quando foi indicado para gerir a crise da pandemia de covid-19 e a recuperação económica do país, após a queda do seu antecessor, Giuseppe Conte, líder do M5S, que agora esteve na base da atual crise política.

A coligação foi apoiada por praticamente todos os partidos com assento parlamentar, da esquerda à extrema-direita, exceto pelo movimento Irmãos da Itália.

Na semana passada, Draghi anunciou que não queria continuar a governar sem o apoio do M5S, quando este partido se absteve numa primeira moção de confiança.

Nessa altura, Mattarella rejeitou o pedido de renúncia e pediu a Draghi para tentar novas soluções políticas, com o devido apoio no parlamento.

Na quarta-feira, o primeiro-ministro venceu uma segunda moção de confiança, mas perdeu o apoio de três dos partidos que apoiavam a sua coligação: o M5S, o Forza Itália e a Liga - o que justificou uma nova visita ao Presidente, para lhe reiterar o pedido de demissão.

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