Aos 99 anos, herói da II Guerra conhece a família da sua paixão de juventude

Desembarcou na Normandia, apaixonou-se por uma francesa e voltou para casa. Setenta e sete anos depois, o veterano conheceu a família de Jacqueline.

Jack Hamlin tinha 22 anos quando fez parte dos 150 mil norte-americanos que desembarcam nas praias da Normandia, decisivo passo para derrotar a Alemanha nazi. Meio ano depois de​​ ter sobrevivido à chegada na praia "Omaha Beach", a que teve mais baixas, o guarda costeiro conheceu num jantar de Natal duas enfermeiras francesas, em Cherburgo.

"Assim que vi Jacqueline, tive um fraquinho por ela, e o meu comandante também!", contou o veterano ao conhecer a filha e as duas netas num encontro realizado nesta semana na Normandia.

A história é contada no Le Point por uma das netas de Jacqueline, a jovem manequim que Jack Hamlin conheceu em 1944​​.

Mas nessa noite de 1944 o SS Leopoldville é torpedeado por um submarino alemão e Hamlin tem de acorrer ao local, onde irá ainda salvar vidas no meio do ataque que custou 800 mortes. Hamlin acabaria por receber uma das mais altas condecorações pela bravura demonstrada, mas perdeu uma noite de romance.

Conta, no entanto, que com a cumplicidade do seu comandante, teve autorização para fazer um jantar romântico numa barcaça. O resto fica por contar, exceto que seis meses depois regressou aos Estados Unidos e levou consigo uma fotografia e memórias.

Como tantos outros soldados, Hamlin regressou à terra natal (Springfield, no Missouri) e seguiu a sua vida sem voltar a falar sobre a guerra. " Até ao 50.º aniversário do Dia D, quando foi convidado para jantar em Londres pela rainha Isabel II com outros setenta veteranos, nunca nos tinha falado sobre a guerra. Não sabíamos nada sobre o assunto", disse a filha mais nova, Julie.

A partir daí, Jack Hamlin abre o baú das memórias e numa das visitas à Normandia (em 2014 recebeu a Legião de Honra) conhece a jovem Alice Fernandez, da associação The Guardians of Memory, que tem como função preservar as memórias da presença norte-americana e promover valores de tolerãncia e fraternidade.

Foi Alice que, ao ver o veterano a mostrar a fotografia de Jacqueline a quem passava em Cherburgo, e sabendo apenas que Jacqueline teria vindo de Courbevoie, Paris, que empreendeu a investigação que ligou as descendentes do amor de 77 anos de Hamlin. "Eu estou tão feliz, é maravilhoso", reagiu o norte-americano ao conhecer as três mulheres.

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