Haqqani: quem são os mais temidos talibãs do Afeganistão

Classificado como grupo terrorista pelos Estados Unidos, a fação Haqqani deve desempenhar um papel importante no futuro governo dos talibãs

Alguns dos principais líderes talibãs debatem por estes dias em Cabul a formação de um novo governo afegão, e entre eles estão os representantes do grupo Haqqani, considerados os militantes mais implacáveis e temidos do Afeganistão.

Os Haqqani foram apontados como responsáveis por alguns dos ataques mais sangrentos dos últimos anos, que mataram civis, funcionários de governo e forças estrangeiras.

Apesar da sua reputação, este grupo classificado como terrorista nos Estados Unidos deve desempenhar um papel importante no futuro governo dos talibãs, que assumiram o poder na semana passada no Afeganistão.

Quem são os Haqqani?

O grupo foi formado por Jalaluddin Haqqani, que ficou conhecido na década de 1980 como herói da jihad anti-soviética. Na época, Jalaluddin era considerado um recurso valioso da CIA [serviço de inteligência norte-americano] quando os Estados Unidos e os seus aliados, como o Paquistão, destinavam dinheiro e armas aos mujahideen.

Durante esse conflito e após a retirada soviética, Jalaluddin Haqqani procurou estabelecer relações com extremistas estrangeiros, incluindo Osama bin Laden, o antigo líder da Al Qaeda.

Posteriormente, aliou-se aos talibãs que tomaram o poder no Afeganistão em 1996 e desempenhou cargo de ministro do regime islâmico até que este foi deposto em 2001 por uma coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, na sequência do ataque terrorista do 11 de setembro.

A morte de Jalaluddin Haqqani, após uma longa doença, foi anunciada pelos talibãs em 2018. Na altura, o seu filho Sirajuddin tornou-se formalmente o chefe da rede.

Graças à sua força financeira e militar - e à reputação de implacável - a fação Haqqani é considerada semiautónoma, embora permaneça dentro do universo dos talibãs.

Baseados principalmente no leste do Afeganistão, com supostas bases ao longo da fronteira no noroeste do Paquistão, o grupo ganhou relevância dentro do movimento talibã nos últimos anos, e Sirajuddin Haqqani foi designado vice-líder dos talibãs em 2015.

Por que são tão temidos?

O grupo Haqqani é acusado de estar por trás dos ataques mais sangrentos contra forças afegãs e da coligação.
É considerado um grupo terrorista pelos Estados Unidos e está também sob sanções das Nações Unidas.

Os Haqqani têm a reputação de usar frequentemente homens-bomba - incluindo motoristas em carros e camiões carregados com grandes quantidades de explosivos - e demonstraram a capacidade de realizar ataques complexos com grande número de baixas contra grandes alvos, incluindo instalações militares e embaixadas.

Em outubro de 2013, as forças afegãs intercetaram um camião Haqqani, no leste do Afeganistão, que continha quase 28 toneladas (61.500 libras) de explosivos, de acordo com o Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA.

Os Haqqani foram acusados ​​de assassinatos - incluindo uma tentativa contra o então presidente Karzai em 2008 - e sequestros de funcionários e cidadãos ocidentais, para obter resgate e forçar a troca de prisioneiros.

Também são suspeitos há muito tempo de ligações com o regime militar paquistanês - o almirante americano Mike Mullen descreveu-os como um "verdadeiro braço" da inteligência de Islamabad em 2011. Mas o Paquistão nega a acusação.

O grupo Haqqani contribuiu muito para as vitórias dos talibãs, dos quais são "as forças mais dispostas ao combate", segundo um relatório da ONU publicado em junho. Nesse relatório, este grupo armado é classificado como o "principal vínculo" entre os talibãs e a rede Al-Qaeda.

Qual é seu papel no novo regime talibã?

Os Haqqani devem ter um papel importante no futuro governo talibã. Dois dos seus líderes estão atualmente presentes em Cabul enquanto se discute a formação do novo Executivo.

O facto de Sirajuddin Haqqani ser o número dois dos talibãs confirma esta relevância, segundo vários analistas.
Sirajuddim Haqqani e seu tio Khalil - que presidiu às orações da última sexta-feira em Cabul - são procurados pelos Estados Unidos, que oferecem vários milhões de dólares por informações que levem à sua captura.

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