Governador de Nova Iorque demite-se no meio de escândalo sexual

Andrew Cuomo sai depois de um relatório da procuradoria estadual concluir que ele terá assediado quase uma dúzia de mulheres.

O governador de Nova Iorque, o democrata Andrew Cuomo, anunciou a demissão no meio de um escândalo sexual, depois de a procuradoria estatal concluir que terá assediado quase uma dúzia de mulheres.

"Penso que, dadas as circunstâncias, a melhor maneira que posso ajudar agora é demitir-me e deixar o governo voltar a governar", disse Cuomo numa declaração. A demissão será efetiva dentro de 14 dias, com Cuomo a ser substituído pela número dois, a democrata Kathy Hochul, que será a primeira mulher governadora de Nova Iorque.

"O meu instinto é lutar contra esta polémica, porque acredito realmente que tem motivos políticos", acrescentou Cuomo. O governador tinha sido elogiado pelo trabalho que fez no combate à pandemia de covid-19.

Cuomo, de 63 anos e governador desde 2011, enfrentava a ameaça de um impeachment na Assembleia Estadual, onde parecia haver votos suficientes para avançar. Não é claro se este processo irá ou não continuar (o ex-presidente Donald Trump também foi alvo de um impeachment já depois de deixar a Casa Branca, tendo sido ilibado).

Há uma semana, o presidente norte-americano, Joe Biden, tinha dito que Cuomo devia demitir-se, depois de serem conhecidas as conclusões do relatório da procuradoria-geral de Nova Iorque. O relatório dava conta de casos de assédio sexual e de um ambiente de trabalho "hostil" para as mulheres. Cuomo nega as acusações.

Cuomo chegou a procurador-geral de Nova Iorque e a secretário de Habitação dos Estados Unidos no governo do antigo Presidente Bill Clinton, antes de ser eleito governador em 2010.

Nova Iorque assistiu a uma série de figuras políticas de alto nível caírem em desgraça nos últimos anos.

O antigo governador Eliot Spitzer renunciou em 2008 num escândalo que envolveu uma prostituta.

O deputado republicano Anthony Weiner foi para a prisão por se ter envolvido numa sessão de 'sexting' -- termo usado para descrever o envio pela Internet de conteúdo erótico ou sexual, como fotografias e vídeos que são produzidos por alguém para outras pessoas -- com uma rapariga de 15 anos.

O procurador-geral Eric Schneiderman renunciou em 2018 depois de quatro mulheres o terem acusado de abuso sexual.

Por fim, dois dos principais líderes do poder legislativo foram condenados por corrupção.

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