Exclusivo Fukushima, 10 anos depois. "Ainda é cedo para avaliar o impacto da radiação na saúde"

Dez anos passados, os estudos da OMS não revelam "efeitos negativos para a saúde" decorrentes da radioatividade. Luís Neves, especialista nesta área, acredita que só mais tarde saberemos qual o impacto.

Passam hoje 10 anos sobre o acidente nuclear de Fukushima, no Japão, ocorrido na sequência de um violento terramoto e de um tsunami, que causou a morte a cerca de 19 mil pessoas. Apesar de os estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) não estabelecerem ligação significativa com alguns casos de cancro detetados, há peritos que consideram ser muito cedo para avaliar esses danos.

Luís Neves, geólogo e professor catedrático na universidade de Coimbra, é um dos dois representantes de Portugal na Euratom - Comunidade Europeia da Energia Atómica, que mede os impactos transfronteiriços de instalações nucleares. Integra este organismo desde o final do ano passado, a par de Isabel Paiva, da Agência Portuguesa do Ambiente. Lembra-se bem de quando lhe chegou a notícia há dez anos, pois um acidente numa central nuclear é "a última coisa de que nós queremos ouvir falar". E também dos dias que se seguiram, em que foi acompanhando através das estações de monitorização da radiação dos níveis atmosféricos, difundidos pela internet. Luís Neves lembra que "nalgumas zonas do Japão, onde os valores tinham subido consideravelmente em relação ao que eram os valores de referência anteriores, ainda assim eram mais baixos do que são por vezes em muitas zonas de Portugal".

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