Explosões em base aérea na Crimeia: ataque ucraniano ou detonação de munições?

Kiev não reivindicou oficialmente a responsabilidade e usou a ironia nas redes sociais.

As explosões que atingiram uma base aérea russa na Crimeia, fazendo pelo menos um morto, terão sido causadas pela detonação de munições e não por um ataque ucraniano, alegou Moscovo. Kiev não reivindicou oficialmente a responsabilidade, mas oficiais ucranianos, sob anonimato, admitiram ao The New York Times que foi um ataque. Caso se confirme, seria o primeiro na Crimeia e isso representaria uma escalada do conflito, já que a Rússia disse que isso desencadearia o "Dia do Juízo Final".

O Ministério da Defesa russo confirmou que, por volta das 15.20 locais, foram registadas explosões na base aérea de Saki, próximo da estância balnear com o mesmo nome e da de Novofedorivka. Nas redes sociais multiplicaram-se os vídeos dos banhistas e do intenso tráfego na ponte da Crimeia, de 19 quilómetros, que liga a península anexada em 2014 à Rússia.

As autoridades russas alegaram que as explosões foram causadas pela detonação de munições, estando a investigar as origens do incidente, e que não houve feridos nem aviões danificados. Contudo, as autoridades da Crimeia indicaram que pelo menos uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas.

A Ucrânia não reivindicou qualquer ataque, tendo o Ministério da Defesa ucraniano dito que não podia "estabelecer a causa" do fumo. Numa mensagem no Facebook, recorreu à ironia para "lembrar as regras da segurança dos incêndios e a proibição de fumar em determinadas zonas". E chamava a atenção para o incêndio poder ser usado na "guerra da informação" russa: "Não pomos de lado que os ocupantes possam "acidentalmente" encontrar um "cartão de visita" ou "ADN"." No Twitter lembrava que "a presença de tropas ocupantes no território da Crimeia ucraniana não é compatível com a época alta turística", partilhando uma das imagens dos banhistas.

Mas ao The New York Times, um oficial sob anonimato lembrou que muitos aviões levantam voo desta base aérea para atacar as forças ucranianas na frente sul, assumindo a responsabilidade. A mesma fonte não revelou que tipo de arma foi usada, dizendo apenas que foi "um aparelho exclusivamente de fabrico ucraniano".

Ainda no mês passado, o ex-presidente russo, Dmitry Medvedev, avisou que qualquer ataque à Crimeia iria desencadear "o Dia do Juízo Final". Isto depois de um oficial ucraniano sugerir que a província podia ser atacada com os mísseis do sistema HIMARS, mais precisos e capazes de chegar mais longe, que os EUA forneceram a Kiev.

A vice-primeira-ministra ucraniana, Iryna Vereshchuk, indicou, por sua vez, que "as explosões em Novofedorivka são outra lembrança sobre a quem a Crimeia pertence". "É ucraniana", acrescentou.

No mês passado, uma explosão menor na sede da Frota Russa no Mar Negro, no porto de Sevastopol, foi atribuída a sabotadores ucranianos, que teriam usado drones.

susana.f.salvador@dn.pt

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