Ex-padre condenado em Timor-Leste a 12 anos de prisão por abuso de menores

As vítimas apelam a todos os que apoiam o ex-padre para "que abram o vosso pensamento para ver que há muita gente a viver em trauma".

O Tribunal Distrital de Oecusse condenou esta terça-feira o ex-padre Richard Daschbach a 12 anos de prisão por vários crimes de abuso sexual de menores, cometidos num orfanato em Timor-Leste.

A pena de prisão, lida esta terça-feira, foi determinada tendo em conta cinco crimes de abusos de menores de 12 anos e a idade do arguido, 84 anos.

Em termos individuais e pelos vários crimes, o coletivo de juízes aplicou penas parcelares que totalizam mais de 37 anos de prisão, com o cúmulo jurídico de penas a ser de uma pena única de 12 anos de prisão.

O juiz absolveu o arguido da prática do crime de pornografia infantil tendo decidido ainda alterar a medida de coação, pelo perigo de fuga, passando a aplicar de imediato a pena de prisão preventiva.

O juiz ordenou igualmente o pagamento de uma compensação financeira de quatro mil dólares a cada uma das cinco vítimas contra quem os crimes foram provados.

As vítimas manifestaram a sua dor pelos abusos de que foram alvo, considerando que Richard Daschbach merece um "castigo severo" pelo sofrimento que provocou.

"Procuramos palavras para nos expressar, mas não consigo encontrar as palavras que possam refletir a destruição que ele causou a mim e a várias gerações de crianças, o sofrimento que nos causou e às nossas famílias, e a manipulação que fez à comunidade de Oecusse e a grande parte de Timor-Leste", refere o texto lido no final do julgamento.

A mensagem foi lida à porta do Tribunal Distrital de Oecusse, por Hildegardis Wondeng, em representação das vítimas de Daschbach, que destacaram o facto de terem podido erguer-se e defender os seus direitos.

Dirigindo-se a toda a comunidade timorense, e especialmente da região do enclave de Oecusse-Ambeno, onde os abusos foram cometidos, as vítimas saudaram o facto "como crianças e mulheres" de se terem conseguido erguer, defender os seus direitos e "dizer o que é verdade e não é verdade".

"Queremos dizer aos habitantes de Oecusse: Nós declaramos aquilo a que fomos sujeitas. Não mentimos, não fizemos denúncias sem fundamento", disseram as vítimas.

As vítimas dizem que querem evitar mais sofrimento no futuro e poder "seguir em frente livres do sofrimento que Richard Daschbach causou, das feridas que ele causou".

"O arguido merece um castigo forte pelo que nos fez a nós raparigas. Quero que o arguido vá para a prisão mesmo, porque ele merece. Espero que enquanto estiver na prisão até acabar a pena possa entender o sofrimento que nos causou e possa aprender com os seus erros", afirmou.

As vítimas agradeceram a quem colaborou para alcançar o resultado desta terça-feira, recordando que depois de quase quatro anos de um longo processo, as vítimas estão "cansadas e precisam de descansar".

"Peço a todos os que apoiam o ex-padre, para que abram o vosso pensamento para ver que há muita gente a viver em trauma, porque outros fizeram o que queriam e tiraram a alegria das crianças através de um comportamento errado", referiram.

"Nós não esquecemos o que ele fez de bom. Continuamos a pensar nisso, mas também nunca vamos esquecer o que ele nos fez de mal", concluiu a mensagem.

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