Ex-advogado de Trump garante continuar a cooperar com a justiça após libertação

Cohen foi condenado a uma pena de prisão em dezembro de 2018, após se ter declarado culpado das acusações sobre o financiamento da campanha de Donald Trump

Michael Cohen, antigo advogado pessoal de Donald Trump, revelou esta segunda-feira que a sua pena de prisão de três anos terminou, mas que mantém o compromisso em cooperar com as autoridades judiciais sobre o ex-presidente dos Estados Unidos.

Cohen foi condenado a uma pena de prisão em dezembro de 2018, após se ter declarado culpado das acusações sobre o financiamento da campanha de Donald Trump, na corrida presidencial de 2016, e de ter mentido perante o Congresso, entre outros crimes.

O advogado de longa data de Trump passou ao todo 13 meses num estabelecimento prisional e ano e meio em prisão domiciliária, tendo visto a sua pena reduzida devido ao bom comportamento.

Visivelmente satisfeito, Cohen saiu esta segunda-feira do Tribunal Federal de Manhattan, em Nova Iorque, após assinar documentos e falar com as autoridades sobre a sua liberdade condicional para os próximos três anos.

"Sinto-me ótimo hoje. Já passou muito tempo", referiu Michael Cohen aos jornalistas, alertados para a sua presença em tribunal através de uma publicação do próprio advogado na rede social Twitter.

As acusações relacionadas com a campanha presidencial de Trump surgiram após Michael Cohen ter ajudado a providenciar pagamentos para evitar que a atriz pornográfica Stormy Daniels e a modelo Karen McDougal prestassem alegações públicas sobre os casos extraconjugais de Donald Trump.

O ex-presidente dos Estados Unidos negou estes casos.

Michael Cohen implicou Donald Trump sobre o financiamento para a campanha, tal como voltou a fazê-lo esta segunda-feira.

"[A saída de prisão domiciliária] De forma alguma nega as ações que tomei sob a direção e para benefício de Donald J. Trump", referiu, citado pela agência AP.

O advogado garantiu também estar ciente das suas responsabilidades e que não irá cessar o seu compromisso com a aplicação da lei.

"Vou continuar a fornecer informações, testemunhos, documentos e a minha total cooperação em todas as investigações em andamento para garantir que outros sejam responsabilizados pelos seus atos sujos e que ninguém jamais esteja acima da lei", sustentou Cohen.

Antes da sua sentença, em 2018, o ex-advogado de Trump procurou obter um perdão, alegando que cooperou totalmente com os procuradores, inclusive na investigação do procurador-especial Robert Mueller sobre a possível influência estrangeira nas eleições presidenciais de 2016.

A procuradora Jeannie Rhee, elemento da equipa de Mueller, referiu em tribunal que Cohen "forneceu informações consistentes e confiáveis sobre questões centrais em investigação relacionadas com a Rússia".

No entanto, os procuradores federais de Manhattan consideraram que Cohen nunca se comprometeu totalmente em cooperar com estes e a redução substancial da pena não se verificou.

Cohen, que se apresentou na prisão em maio de 2019, passou para prisão domiciliária após cerca de um ano, quando as autoridades permitiram a libertação de presos de baixo risco durante um surto de covid-19 em prisões.

O advogado voltaria à prisão semanas depois, mas um juiz voltou a ordenar a prisão domiciliária, ao considerar que a ida para a cadeia visava claramente puni-lo pelo seu plano em publicar um livro, intitulado 'Disloyal: A memoir' ['Desleal: Memórias', em português].

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