O apoio dos Estados Unidos à Ucrânia está estagnado desde que Donald Trump regressou à Casa Branca, a 20 de janeiro, não tendo sido registada qualquer nova ajuda militar, financeira ou humanitária desde o anúncio do último pacote de ajuda, o que aconteceu a 9 desse mês, ainda Joe Biden era presidente - 480 milhões de euros (500 milhões de dólares) em ajuda militar, incluindo mísseis de defesa aérea e ar-superfície, bem como equipamento para caças F-16, segundo dados divulgados pelo Instituto Kiel para a Economia Mundial. Já a Europa tem mantido consistentemente o seu apoio, aumentando a diferença para Washington: o Velho Continente já alocou mais 23,3 mil milhões de euros do que os Estados Unidos, de acordo com a última atualização do Ukraine Support Tracker, que abrange as ajudas até final de fevereiro. “A recente pausa na ajuda dos EUA aumenta a pressão sobre os governos europeus para que façam mais, tanto em termos de assistência financeira como militar”, explica Taro Nishikawa, líder do projecto Ukraine Support Tracker no Instituto Kiel. De notar ainda que a última vez que o apoio dos Estados Unidos foi interrompido durante um período tão longo foi em janeiro de 2024, durante um impasse no Congresso causado pelos republicanos sobre um novo pacote de ajuda à Ucrânia. Outro dado que salta à vista é que o período entre outubro e dezembro últimos é o trimestre, desde o início da guerra, no qual os Estados mais apoiaram Kiev (26,8 mil milhões de euros, mais 11,2 mil milhões do que o melhor registo anterior, entre julho e setembro de 2022), o que se poderá ser explicado por ser o final da presidência de Joe Biden e para compensar a eleição em novembro de Donald Trump, que já tinha ameaçado cortar o apoio norte-americano. Olhado para o panorama da ajuda europeia, em janeiro e fevereiro, o Reino Unido atribuiu 360 milhões de euros, a Alemanha 450 milhões de euros, a Noruega 610 milhões de euros, a Dinamarca 690 milhões de euros e, mais notavelmente, a Suécia 1,1 mil milhões de euros. Além disso, a Comissão Europeia desembolsou recentemente à Ucrânia o primeiro empréstimo de 3 mil milhões de euros. “Como resultado, a Europa já atribuiu um total de 138 mil milhões de euros em ajuda desde o início da guerra, mais 23 mil milhões de euros do que os Estados Unidos. No entanto, na área do apoio militar, os EUA ainda lideram, embora por uma pequena margem: desde fevereiro de 2022, alocaram cerca de 65 mil milhões de euros de ajuda militar à Ucrânia, cerca de mil milhões de euros a mais do que a Europa”, pode ler-se num relatório publicado este mês pelo Instituto Kiel. O relatório deste think tank alemão a que o DN teve acesso mostra ainda que existe uma grande diversidade dentro da Europa no que diz ao apoio à Ucrânia, com muitos países mais a Ocidente - mais distantes de Kiev - a prestarem uma ajuda mais limitada, quando comparados com os nórdicos e bálticos. Por exemplo, a Estónia ou a Dinamarca destinaram mais de 2% do seu Produto Interno Bruto pré-guerra à Ucrânia, em comparação com cerca de 0,4-0,5% da Alemanha e do Reino Unido, e apenas 0,1-0,2% da França, Itália ou Espanha.No estudo anterior deste think tank, intitulado Ajuda à Ucrânia: como a Europa pode substituir o apoio dos EUA, é referido que são sobretudo os grandes países europeus - Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Espanha - que necessitariam de aumentar o seu apoio para substituir parcial ou totalmente a ajuda da Casa Branca. “Se os ‘cinco grandes’ países europeus fizessem quase tanto como os países nórdicos ou bálticos, a Europa poderia compensar em grande parte qualquer défice dos Estados Unidos, especialmente no que diz respeito à ajuda financeira”, afirma Christoph Trebesch, responsável do Ukraine Support Tracker.O que quer dizer que, segundo contas do Instituto Kiel, Berlim deveria aumentar os seus atuais 6 mil milhões de euros para pelo menos 9, Londres de 5 para 6,5, Paris de 1,5 para 6, Roma de 0,8 para 4,5 e Madrid de 0,5 para 3. Os restantes europeus precisariam de subir dos atuais 14 mil milhões anuais para 16,5. .Trump acredita que Zelensky está pronto para desistir da Crimeia em "semana crucial"