Espanha fixa preço máximo para autotestes

Em Espanha, os autotestes vão continuar a ser vendidos apenas nas farmácias, ao contrário do que acontece em Portugal. O governo anunciou também a dose de reforço da vacina para todos os cidadãos com mais de 18 anos.

Espanha fixou esta quinta-feira o preço máximo de venda nas farmácias dos testes de autodiagnóstico da covid-19. Cada um passa a custar no máximo 2,94€. A decisão surge depois da polémica causada pela escassez e pelos preços elevados praticados durante a época do Natal.

A medida entra em vigor no sábado, assim que seja publicada no Boletim Oficial do Estado (correspondente ao Diário da República em Portugal), de acordo com a ministra da Saúde, Carolina Darias.

Vários países europeus avançaram mais rapidamente do que Espanha na regulamentação dos preços dos autotestes, como foi o caso de Portugal, onde o Governo limitou a 15% a margem de lucro na venda de dispositivos médicos e de equipamentos de proteção individual, assim como na comercialização de testes rápidos à covid-19.

Do lado de lá da outra fronteira espanhola, em França, o preço máximo fixado por cada teste é de 6,01€. Este valor não está longe do preço praticado atualmente em Espanha, depois de a procura ter diminuído nos últimos dias. O executivo espanhol explicou que a medida não foi tomada antes porque foi necessário "estabilizar a produção".

"O debate que tivemos antes ou durante o Natal foi principalmente sobre a oferta destes testes; houve um aumento exponencial da procura, mas não da oferta. Esta questão já foi resolvida; agora vamos descer ao controlo do preço do teste de antigénios", disse o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, quando anunciou esta medida no início da semana.

Segundo a associação de consumidores Facua, a escassez no mercado espanhol de autotestes levou à duplicação dos preços normais, com os consumidores a ter de pagar de 4,95 até 10 euros.

A ministra da Economia e da Transformação Digital, Nadia Calvino - uma das responsáveis governamentais que participou no processo de tomada de decisão - disse na quarta-feira que a intenção era baixar o preço "tanto quanto possível, porque é uma necessidade básica", apesar de que "as comunidades autónomas tenham abordagens diferentes".

O maior partido da oposição espanhola, o Partido Popular, tinha pedido que o preço fosse fixado em dois euros e que estes testes fossem gratuitos para aqueles que não os podem pagar devido ao seu nível de rendimentos. Outro partido, o Ciudadanos, preferia a liberalização das vendas nos supermercados, acreditando que os preços podiam baixar para entre dois e três euros. Em sentido contrário, o Governo defendeu que a liberalização das vendas não estava em cima da mesa, principalmente por razões de segurança.

O Conselho Geral das Associações de Farmacêuticos congratulou-se com o limite máximo de preços porque irá pôr fim aos "excessivos" aumentos de custos e tensões no mercado dos quais estes profissionais também foram "vítimas".

Dose de reforço para todos acima dos 18 anos

Além da decisão de fixar o preço dos autotestes, a ministra da Saúde espanhola anunciou ainda que todos os maiores de 18 anos vão poder receber a dose de reforço da vacina. Após uma reunião com as autoridades de saúde regionais, Carolina Darias explicou que o reforço será , tal como aconteceu na primeira fase, realizado "de forma ordenada" por grupo etário desde o mais velho até ao mais novo, "dez por dez".

Desta forma, uma vez concluída a vacinação dos adultos com mais de 40 anos de idade, começará com os maiores de 30, e assim sucessivamente até atingir os de 18 anos de idade.

Também o tempo entre as tomas foi reduzido, passando de seis para cinco meses. Segundo a governante, a decisão está de acordo com "o que os países vizinhos estão a fazer" e responde à "evidência" de que entre cinco e 10 meses "a eficácia" da vacina "começa a diminuir". A partir de agora, explicou, quem esteve infetado com covid-19 terá de deixar passar quatro semanas desde a infeção para poder receber o reforço.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG