Eleições nos EUA. Especialista alerta para risco de violência armada em protestos

Duas semanas antes da posse do novo Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, persistem receios sobre manifestações e protestos com motivos políticos contra os resultados das eleições e contra o partido Democrata.

O especialista norte-americano em processos políticos Gregory Magarian alertou que o direito à posse de armas pode transformar manifestações nos Estados Unidos em casos de violência por motivos políticos.

Duas semanas antes da posse do novo Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, persistem receios sobre manifestações e protestos com motivos políticos contra os resultados das eleições e contra o partido Democrata.

Recordando que em muitos Estados as restrições ao uso de armas são "muito fracas ou inexistentes", Gregory Magarian, professor de direito da Washington University in St. Louis, uma universidade privada em Missouri, alertou para o risco de confrontos nesses protestos.

"É só uma questão de tempo até vermos algo em maior escala"

"Uma das coisas que temos visto em crescimento são pessoas armadas a participar ou a lutar contra protestos nas ruas", disse à Lusa o especialista em regulações sobre armas, direito e religião e liberdade de expressão.

Durante o ano de 2020 foram vários os exemplos de casos em que indivíduos utilizaram armas em protestos com motivos políticos.

"É só uma questão de tempo até vermos algo em maior escala e até estes protestos onde existem armas conduzirem a mais violência", declarou Gregory Magarian.

Ainda assim, defendeu, a imposição do estado marcial parece pouco provável.

"Vimos situações em que municipalidades declararam recolher obrigatório e a Guarda Nacional foi chamada", disse o docente, mas, por serem de curta duração servem para "controlar surtos de violência" e não justificam a imposição do estado marcial.

Em 23 agosto, um rapaz de 17 anos levou uma arma para um protesto em Kenosha, Wisconsin, e disparou contra manifestantes, resultando na morte de duas pessoas.

O jovem, Kyle Rittenhouse, enfrenta um total de seis acusações para as quais se declarou inocente esta terça-feira, entre as quais duas acusações de homicídio em primeiro grau e uma acusação de tentativa de homicídio.

"Eu preocupo-me verdadeiramente com as armas"

Para o professor Greg Magarian, nascido no Estado de Wisconsin, o caso foi um "toque de alarme".

O docente indicou outros casos de violência em manifestações políticas, como o ataque com um carro em Charlotesville em 2017, protestos em Oregon em 2019 ou em frente ao capitólio de Michigan no ano de 2020, "incidentes terríveis, mas de pequena escala".

"Eu preocupo-me verdadeiramente com as armas" disse o professor universitário, autor de numerosos artigos académicos e coautor de vários livros sobre direito.

O especialista defendeu à Lusa que os Estados Unidos precisam de repensar a relação entre a liberdade de expressão e o uso de armas.

"Vamos ter mesmo de pensar na relação e conflito entre o direito à liberdade de expressão e direito à manifestação, de um lado, e os direitos da Segunda Emenda ('Second Amendment') de possuir uma arma e fazer o que se quiser com isso", disse.

"Mesmo tendo um número muito pequeno de pessoas que querem causar danos, com armas nas suas mãos, elas conseguem causar muito mais prejuízo", disse Greg Magarian.

Indicando que o verão de 2020 foi o período mais longo de protestos contínuos nos Estados Unidos, o docente universitário disse que "houve casos de danos à propriedade e uma mão cheia de incidentes violentos envolvendo manifestantes, mas, em grande parte, o movimento Black Lives Matter foi não violento e levou as suas mensagens ordeiramente".

Gregory Magarian defendeu que muitos conservadores que se identificam com o partido Republicano e com as milícias de direita poderão sair nas próximas semanas às ruas para protestar contra a posse do democrata Joe Biden como Presidente.

Os manifestantes, apesar de serem do espetro político oposto, têm os mesmos compromissos com a segurança e "querem expressar mensagens sem violência", mas o direito à posse e uso de armas apresentam riscos consideráveis.

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