Eleições locais são teste a Johnson no pós-'partygate'

Ingleses, galeses e escoceses elegem as assembleias que determinam quem gere questões como manutenção de estradas ou a reciclagem. Mas o voto é também visto como um teste à popularidade do primeiro-ministro conservador após os escândalos.

As eleições de hoje são para escolher os membros das assembleias locais em várias regiões de Inglaterra, incluindo os 32 bairros londrinos, toda a Escócia e no País de Gales. Estas assembleias determinam questões que vão desde a manutenção das estradas às rotas dos autocarros públicos, passando pela reciclagem e projetos para combater as alterações climáticas. Mas estas eleições locais têm também uma leitura nacional, especialmente depois do escândalo do partygate, em que o primeiro-ministro Boris Johnson violou as próprias regras de confinamento durante a pandemia, e tendo em conta que existe uma preocupação crescente com o aumento do preço dos alimentos ou da energia. Daí que este seja também um teste nas urnas ao governo conservador.

O líder do Labour, Keir Starmer, defendeu que estas eleições são "uma oportunidade de enviar uma mensagem ao governo sobre o seu fracasso abjeto". Já o líder dos Liberais-Democratas, Ed Davey, disse que os eleitores podem dizer com o seu voto que se querem livrar de Johnson. Um resultado muito negativo para os conservadores poderia, em teoria, levar mais deputados do partido a retirar a confiança ao líder, sendo precisas 54 cartas nesse sentido para desencadear uma votação que pode levar à sua demissão.

Devido ao elevado número de cargos em jogo, espalhados por todo o país, as eleições vão permitir dar uma imagem de para que lado os eleitores estão a virar-se. Em áreas como Somerset, Hertfordshire ou Hampshire, que tradicionalmente eram bastiões conservadores, será possível por exemplo testar a força do "muro azul" - zonas que votaram contra o Brexit e estão vulneráveis a passar para os liberais-democratas ou Labour. É o oposto do "muro vermelho", no norte de Inglaterra, que era tradicionalmente trabalhista mas que votou a favor do Brexit e nas últimas legislativas foi ganho pelos conservadores.

Na Escócia, onde os lugares de todas as assembleias estão em jogo, o Labour precisa de recuperar algum terreno, se quiser um dia derrotar os conservadores e voltar ao poder no Reino Unido. Mas será preciso também avaliar o peso do Partido Nacionalista Escocês e perceber se continua a ganhar força para avançar para uma nova tentativa de referendo à independência, defendida pela chefe do governo Nicola Sturgeon.

susana.f.salvador@dn.pt

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